Maldita Glória Kalil

Ela era desligada, ele chato. Estavam namorando há 5 dias. Foram almoçar juntos pela primeira vez. Serviram-se no buffet, pesaram os pratos e sentaram. Ele reparou em como ela comia. Não resistiu.

- Ã...
- Quê?
- É que...
- Fala.
- Ah, nada. Nada. Deixa assim.
- Agora fala, né?
- Não. Era uma besteira. Esquece.
- Sabe que eu sou curiosa?
- Sei. Sei, tô sabendo. (risos)
- Então? Não vai falar?
- É que eu pensei, mas achei melhor não falar. Por que, realmente é algo sem importância.
- Mas eu vou morrer se você não contar. Tá sabendo?
- Eu sou muito de falar sem pensar. Dessa vez eu pensei. Se fosse algo importante eu falava.
- Sei...
- Às vezes, a gente fala e a outra pessoa entende aquilo como algo ruim. Eu não quero que você ache a coisa errada.
- Olha, vou ser sincera também.
- Por favor.
- Não me importa o que você fala. Importa o que você pensa.
- É?
- Claro. Se eu estou com alguém é pelo o que ele é, e não somente pelo que ele fala.
- Faz sentido.
- Então, se você pensou algo que se eu soubesse me faria brigar com você, é porque o que você pensa não é o que eu gostaria que pensasse; não é o que eu espero de um namorado.
- Acho que você está complicando uma coisa simples.
- Melhor complicar agora do que depois, não acha?
- É?
- É.
- Quer que eu complique também?
- Quero.
- Então, agora, vou falar.
- Pode falar.
- É que você usa a faca para colocar a comida no garfo.
- E daí?
- Daí, é que faca é pra cortar, não para colocar o máximo de comida possível no garfo!
- A Glória Kalil diz que pode.
- Duvido.
- Diz, sim. Eu vi no Fantástico.
- Ah, viu?
- Vi.
- Então, tá bom. Mas eu não gosto.
- É porque você é cheio de manias!
- Muito prazer. Este sou eu.
- Muito prazer. Esta sou eu. E até mais ver.
- Isso é um tchau?
- É. Um adeus.
- Quer saber mais?
- Hf.
- Você come feio pra caralho!
- Grosso!

Ipi, Ipi, Urra!

O Governo estendeu, mais uma vez, a redução do IPI para automóveis até março de 2010. Só que desta vez, apenas para carros de combustão flexível, que permitem o uso de álcool ou gasolina. É uma tentativa de conter as emissões de CO2. Há quem diga que os motores à álcool poluem tanto quantos os convencionais. Mas isso é outro assunto. Se a intenção é estimular o consumo de bens e serviços "verdes", por que não subtaxar também a bicicleta, o transporte coletivo, os patins, o skate, o tênis de caminhada, o patinete, o carrinho de rolimã, o planador, os balões de aniversário para padres e o pogobol? Será porque 2010 é ano eleitoral e a indústria automobilística apoia... Ã... O... Ah, não. Claro que não. Imagina. No Brasil? Não, mesmo.

Nunca se vendeu tanto carro no país. E a crise mundial? O consumidor esqueceu. Tudo psicológico. Enquanto isso, ao invés de incentivar a produção de bens ecoeficientes, o não-desperdício e a eficiência do trânsito, o Governo joga mais carros nas ruas, faz "girar" a economia e, pasmém, aumenta a arrecadação.

 
 

Faith No More no meu K7

Demorei demais e não vou comentar o show do Faith No More em Porto Alegre. Na real, não tenho muito o que escrever, por 2 motivos: (1) pulei e cantei feito um louco, coisa que eu nunca faço em shows, e, então, não tenho nenhuma opinião muito crítica - resolvi me divertir ao invés de ouvir e observar; (2) o Leo escreveu brilhantemente - compartilho de tudo o que ele disse (leia aqui).

Conheci o Faith No More por 1990 (ou antes), no álbum The Real Thing. Fiquei maluco pela mistura de metal, funk e boas melodias. Era totalmente inovador. Era época em que as fitas K7 passavam de mão em mão. A gente locava CDs na Alfaveloca (que nomezinho...) – uma locadora de CDs que tinha em Pelotas, e gravava. Era o nosso paraíso, cheio de discos importados. Eu me considerava o rei da gravação. Achava que fazia melhor do que ninguém. Os discos longos, que os outros não conseguiam colocar em fitas, cabiam nas minhas. Eu sabia exatamente quanto tempo tinha de cada lado do K7. Variava de marca pra marca. As Basf 60, por exemplo, comportavam 31:20 em cada face (pelo menos na rotação do meu tape deck Philips). Eu pegava o tempo de cada faixa, somava e, é claro, desconstruia a ordem original dos CDs, programando a sequência ideal de reprodução no aparelho para preencher ao máximo a primeira metade. Assim, sobrava mais espaço do lado B. Nunca faria isso hoje, é claro. (Aliás, os CD-players de hoje – ou, melhor, DVD-players - permitem programar a ordem desejada? Nem sei como fazer). Depois, escrevia o nome das músicas na máquina elétrica da minha mãe, fazia uma capinha com alguma foto de revista recortada, inseria o papel datilografado no lado de dentro e pronto, tinha minha fitinha personalizada semioficial. Lembro que a do The Real Thing, tinha uma imagem esverdeada dos 5, recortada de uma Bizz (ou Showbizz, não lembro qual era o nome na época).

Fiquei maluco quando vi na MTV, na casa do Nélio que tinha antena parabólica, as primeiras imagens da banda. Aquele som que me fascinava agora tinha uma cara. A banda era foda, cheia de estilo, e a expressão de louco de Mike Patton fazia jus à genialidade musical que eu percebia nas melodias. O clipe era de Epic e nem a tosquice da explosão do piano ao final da música comprometia minha devoção.



Em janeiro de 1991, tinham vindo ao Rock in Rio 2, que não fui, mas gravei da TV em VHS. Mike Patton escalando a estrutura metálica do palco é o que eu mais lembro. Logo, comecei a perceber que a banda underground que eu conhecera meses atrás estava conquistando mais fãs pelo mundo. Quando a gente descobre algo antes da grande mídia, se acha meio dono dela. E eu me considerava assim.

Mas no dia 27 de setembro de 1991, vieram a Porto Alegre. "Como? A minha banda favorita aqui?" Claro que eu fui numa excursão. Tinha prova de química no dia seguinte, mas azar. Foi de bate-e-volta. Acho que era meu primeiro show internacional. O Gigantinho quase explodiu. Quem abriu foi a Maggie's Dream, do ex-menudo Robby. Que escolha inapropriada! Depois de alvejado por revistas Bizz, distribuídas gratuitamente para o público, todos, em protesto, sentaram-se no chão. O porto-riquenho e sua banda de rock passaram um grande vexame.

Agora, 18 anos depois, para o show em Porto Alegre, juntamos 4 colegas que estavam no Gigantinho em 91 e repetimos a dose. Talvez pela nostalgia do momento é que eu tenha me empolgado tanto e voltado à adolescência. É bom quando você se permite curtir de verdade. Em janeiro tem Metallica.

No escurinho é mais gostoso

As pessoas costumam reclamar quando algumas ruas carecem de iluminação pública. Os motivos são dois: enxergar para deslocar-se e a segurança. Quanto ao deslocamento, se cada um levasse uma vela, um lampião ou uma lanterna, estaria resolvido. Ainda por cima, com muito menos custo do que a manutenção do sistema público exige. Com relação a carros, cada um tem seu farol. Não existem sem. É lei. No quesito segurança, quem conhece pesquisas que indiquem que a falta de luz aumenta a criminalidade? O escuro, o soturno, as sombras são muito usados nas artes para despertar suspense, medo e aflição. Mas quem disse que esses elementos da ficção têm consequências concretas na realidade? Um ladrão enxerga o mesmo que eu, tanto na luz do dia quanto na escuridão. Um estuprador não usa um aparato de visão noturna que lhe dê vantagem visual contra sua vítima. Um vampiro... Nem mesmo um vampiro teria vantagem à noite. Ele teria é desvantagem de dia, pois não suportaria a luz do sol. Mas, nesse caso hipotético, a iluminação pública artificial também não ajudaria, pois é apenas com raios solares que ele padece.

Mas voltando a falar sério... O cidadão está em igual condições visuais com o infrator tanto na luz quanto no escuro. Não é a quantidade de lux que vai garantir sua segurança ou vitimá-lo. Sabe aquela história de deixar uma lâmpada acessa no pátio de casa, na varanda? Sou contra. Quem melhor do que eu conhece minha casa, meu jardim? Quem sabe onde termina a grama, começa a brita; sabe a altura dos degraus, das saliências, a posição das árvores, a distância do muro, onde a mangueira está enrolada? Quem leva vantagem no escuro? É claro que eu. Se nas ruas há um empate, na minha casa, sou o mestre.
Quer outro fato que comprova minha tese? Imagine um pedestre cego. Claro que seria um alvo fácil. Mas agora visualize um bandido também cego pronto para atacá-lo. Claro que sempre o agressor tem a vantagem da iniciativa, mas isso nada tem nada a ver com a condição visual.

Voltando ao vampiro... De repente, algum deputado propõe um projeto para disponibilizar estacas públicas, a cada cem metros, nas ruas, ao lado das lixeiras, caixas de correio ou orelhões. Aí, sim! Se lembram? Já até tentaram algo semelhante com o kit de primeiros socorros e com o cambão nos carros.

 
 

Água de Melissa na Feira do Livro

Minha teoria da conspiração sobre a morte (ou não) de Michael Jackson e suas consequências

Para mim, a morte providencial de Michael Jackson é a peça-chave em sua estratégia de "revitalização" e recapitalização. Somam-se a isso as declarações polêmicas de familiares, escândalos instantâneos, fortíssima assessoria de imprensa e demais artimanhas - pronto: tem-se o maior e mais eficiente plano de ação jamais visto. Além das coisas que todos já sabem e falam por aí, tenho alguns outros pontos e suposições a levantar.

O filme
Cercado por forte campanha publicitária, estreiou semana passada o documentário "This Is It". O projeto, lançado apenas 3 meses após a morte do artista (como pode?), mostra os bastidores dos ensaios para a temporada de 50 shows que o astro faria em Londres. O filme desmitifica a imagem de um Michael Jackson frágil, ingênuo, doente, manipulado, inacessível e... esquisitão. Ou seria melhor dizer "remitifica"? O que se vê é um artista consciente, ativo, perfeccionista e dono do seu próprio nariz. Sim, até o nariz está lá. Dizem que seu rosto é a soma de próteses, maquiagem pesada e dezenas de operações plásticas. Mas o que a edição mostra em detalhes é um rosto - se não, até, bonito - totalmente aceitável ou, no máximo, excêntrico. Afinal, é a face de um artista, então, qualquer maluquice tá valendo. Não estou querendo dizer que o lançamento pretende forjar uma nova imagem do cantor. Minha questão é a seguinte: será que Michael era aquele bichinho acuado que a mídia nos vendia e que corroborava com a predisposição de uma morte prematura desse tipo? Na tela, ele dança, corre - talvez não como um rapaz de 20 anos, mas, sem dúvida, como um homem de 50, normal, em forma - canta em perfeita afinação esbanjando versatilidade, alcance vocal e sentimento, sem truques, sem playback. Essa é a pessoa viciada em sedativos que, para (dormir, não) apagar, administrava-se droga potente comum em intervenções cirúrgicas? Quer dizer que, na noite anterior a cada um dos ensaios, havia passado por um processo similar ao de uma anestesia geral? Você já tomou uma anestesia geral e saiu correndo, dançando e pulando no dia seguinte?

Ingressos
Nem todo mundo devolveu os ingressos comprados antecipadamente. Não tenho dados, mas acredito que quase ninguém. São negociados como raridade, cobiçados pelos fãs e oferecidos como prêmio em promoções de divulgação do filme. Raciocine comigo: e se após o ocorrido, a produção do show resolvesse imprimir mais ingressos para sortear em ações de divulgação do filme? Ou alguém pensa que estão usando os poucos que foram devolvidos? E se imprimissem para, além disso, vender na Ebay? Olhe este por US$499,00.

Funeral
Quem conseguiria organizar um evento de tamanha envergadura, com venda de ingressos, programa impresso, vídeos exclusivos projetados nos telões, em apenas 10 dias?

O corpo
Quem viu o corpo de Michael? Será que nenhum médico, assistente, enfermeiro, embalsamador ou faxineiro do hospital sacou o celular do bolso e tirou uma foto? Qualquer evento, por menor que seja, é alvo de centenas de fotógrafos amadores. Imagina se deparar com a pessoa mais famosa do mundo, morta, ainda por cima? O ser humano é podre, não perderia a oportunidade.

Se você tem alguma constatação que indique afinidade com esse pensamento, deixe comentário aqui. Quero saber de outros fatos sobre essa teoria da conspiração.

Vida de pai

No final do mês de outubro, a escolinha de minha filha resolveu comemorar o Dia dos Pais. Por causa da gripe A, a volta das férias de julho foi adiada e a tradicional festinha de homenagem também. Não é preciso dizer que, na ocasião, dei graças a Deus. Podia apostar que o evento não se realizaria. Mas aconteceu. Sou totalmente bicho-do-mato e antissocial, pra não dizer antipático. Nunca sei o que falar em situações assim e fico constrangido com a minha falta de papo e respostas monossilábicas. "Fosse na festinha do ano passado?", "Ã-rã", resmungo.

Conforme marcado, 16:30 de sexta, lá estava eu, sentado em uma cadeirinha de criança com outros 50 pais desconfortáveis. O atraso de meia hora não estava colaborando com minha cervical. Um pai ao meu lado, visivelmente contrariado, não parava de olhar pro celular e, certa hora, aflito, resmungou: "Acabou a bateria. Acredita? Logo agora. Acabou a bateria!" Franzi o queixo e fiz cara de "que coisa...", balançando a cabeça.

O evento começou com a coordenadora pedagógica (ou algo que o valha) proferindo um texto em homenagem a nós. "Pai, muito obrigado por existir, por brincar comigo... Por me dar segurança... Por me repreender quando é preciso... Blá, blá, blá... E por, toda tarde, voltares pra casa." O quê "Voltares pra casa"? Na mesma hora, fiz uma brincadeira: "não sabia que existia a opção de não voltar". O esquisitão ao meu lado, ainda abalado pelo desfalecimento de seu telefone, perguntou: "o que ela falou sobre opção?". Totalmente fora da casinha.

A primeira apresentação das crianças começou. Era o grupo dos pequenos. De um a três anos, aproximadamente. Tocou uma música do Tim Maia interpretada por Ivete Sangalo, em gravação ao vivo, cheia de tira-o-pé-do-chão, improvisações, etc. Totalmente inadequada a esse tipo de apresentação. As crianças estavam estáticas, procurando os pais na plateia. Imagino que era pra dançarem e cantarem, visto que as "tias" faziam uma coreografia, agitando as mãos freneticamente e acompanhando a letra. Em seguida foi a vez do segundo grupo, de 3 a 5 anos – o que minha filha fazia parte. Outra música do Tim Maia pela Ivete Sangalo, ao vivo - provavelmente do mesmo CD que pulava de tão arranhado. A canção era "Você". O grupo mais velho tinha um pouco mais de desenvoltura e assimilou melhor os ensaios da semana. Todos cantavam: "não, não vá embora / vou morrer de saudade...". De novo? Que problema eles têm com os pais. Acham que todos vão se mandar, sair para comprar cigarros e abandonar a família? Que horror! Fiquei chocado.

Mas o pior estava por vir. Depois de um slideshow não anunciado, que ninguém prestou atenção, exibido em uma desproporcional tela para o local, as "tias" fizeram um teatrinho. Esconderam-se atrás de uma janela e empunharam fantoches em meio à gritaria dos pequenos e desrespeito total dos pais, que conversavam como se nada estivesse acontecendo. Não consegui escutar uma palavra sequer do texto que era dito através pelos microfones do DVD-karaoke e reproduzido diminuto nas caixas de som da TV.

Minha mulher tinha alertado: "adivinha o presente superútil que vais ganhar?". Chutei: "um cachimbo!". Imagino as tias fazendo uma reunião de brainstorm para criar a festa: "Deixa eu pensar, deixa eu pensar... Pai... Pai... Deixa eu ver... Pai... Ã... Futebol... Gravata... Ã... Cachimbo... Chimarrão e... Churrasco!". E é claro que tinha churrasco. Às 5:30 da tarde! Não é perfeito? Saí de lá me sentindo muito mais pai do que quando eu cheguei.

Brincadeiras à parte, esse tipo de evento é importante para as crianças e é por isso que eu fui. A escolhinha é muito boa, só as tias são um pouco atrapalhadas. Só um pouco.

 

 
 

Living Colour em Porto Alegre


foto: Rodrigo dMart

24 horas se passaram e meus ouvidos ainda zunem. O som estava realmente ruim. E alto. Muito alto. Mas não era uma questão de "som rock and roll". Estava embolado, confuso. E não me venha com essa que eu estou velho. Chegou ao ponto do baixo ter problemas, o roadie ficar desesperado procurando o defeito, ficar pulando feito um louco para que Doug Wimbish trocasse de instrumento, e ninguém, nem eu, percebeu que seu som estava ausente. E são apenas três instrumentistas no palco. Quando 1/3 deles desaparece, algum buraco gigantesco deveria surgir. Não acredito que alguém perceberia a falha apenas pela audição. Não de onde eu estava.
 
O Opinião é pequeno, bom de se assistir. Não tem lugar ruim. Então por que, porras, o operador de som não conseguiu tirar um som decente? PA, em lugares assim, serve só para preencher o que falta. Os amplificadores de palco, praticamente, dão conta do recado sozinhos. Acho que ele percebeu isso no meio do show. Mas, depois, piorou novamente.

"Cult of Personality" estava inteligível. Tinha a exata impressão que cada um tocava em tom diferente, tamanha a perturbação sonora. Como se ouviam no palco Claro, monitores in ear. Não era exatatamente esse Living Colour que eu queria ver.
 
A segunda vez da banda em Porto Alegre mostrou que Corey Glover é um cantor fenomenal, William Calhoun toca pra caralho, o carisma do ex-baixista, Muzz Skillings, não é insubstituível como eu pensava, e Vernon Reid deve mandar ver no Guitar Hero. Só que minha paciência com os barulhinhos atonais do virtuose já não é do tamanho de quando adolescente.
 
O público não foi grande. Chuto, metade da lotação. Melhor pra quem compareceu. Mesmo com o péssimo som, valeu a pena ter presenciado de perto meus ídolos de ébano. São gente finíssima e atenciosa - distribuíram autógrafos e sorrisos para meio mundo. Não tocaram "Middle Man", mas eu poderia apostar que "Glamour Boys" ficaria de fora, só que todo mundo cantou junto "I'm fierce... Uuuh!"

Agora é esperar pelo Faith No More, dia 3 de novembro. Será no Pepsi On Stage, onde o som costuma ser horrível. Mas por minhas experiências anteriores, duvido que seja pior.

Troca-troca

Escrevi este texto para meus padrinhos. Foi baseado na realidade de suas personalidades mas, claro, a história é ficção.

* * * * * * * * * * *

Troca-troca

Ele não vai ao médico. Ela não faz lentilha. O impasse tem quase 10 anos. Quando querem cutucar um ao outro, ela destrincha seu discurso sobre a saúde dele, ele reclama que ela não prepara o prato que tanto quer. Ela é cozinheira de mão cheia. Sempre uma receita nova. Não tem medo de ousar. Mesmo assim, ele não deixa passar: “e a minha lentilha?”. Aproveita o dom gastronômico da mulher e se farta. Os banquetes lhe agradam a alma e ao paladar. Sedentário, a cintura e a pressão aumentam. “Luis Antônio, não tá na hora de fazer um check-up?” Pronto. É motivo para ele fechar a cara e não se falarem por dias a fio. Certa terça-feira, ela teve uma ideia.

- Luis Antônio.
- Zzzzzzz
- Luis Antônio!
- Ã, o quê? O quê?
- Tava pensando...
- Cof, cof, rrrrrr... Ã... Fala.
- Quem sabe a gente faz um... troca-troca?
- Quê?
- Q-u-e-m  s-a-b-e  a  g-e-n-t-e  f-...
- Eu entendi essa parte. Mas que história é essa de troca-troca?
- Ué. Eu só tava pensando...
- Nunca fui homem disso, Maria Clara.
- Não seja por isso, tu nunca foi homem nem pra ir ao médico...
- Ah, tá. Vai começar de novo com isso?
- Tá, tá, tá. Calma. Mas eu tô falando sério sobre o troca-troca.
- Que isso, Maria Clara? Eu aqui trabalhando e tu me vens com sacanagem?
- Ai... Quase 40 anos de casamento e parece que tu não conheces.
- Então me explica. Então me explica que eu já tô ficando nervoso com esse troço.
- “Troca-troca” assim: primeiro tu vai ao médico fazer um check-up...
- Eu falei para não falar disso.
- Então não falo! Não falo mais nada! Cansei!

E ficaram uma semana sem se falar de novo. Só que ele não conseguia parar de pensar na conversa da esposa. Sempre foi um homem fiel, dedicado à família. Agora a patroa vinha com essas modernices. “Só pode ser a menopausa ou coisa parecida”. Por outro lado, já estava com mais de 60, muitos de seus amigos estavam divorciados e contavam as vantagens em serem solteiros e voltarem à puberdade. Matutou alguns dias e decidiu aceitar a proposta. Afinal, teria a oportunidade de aproveitar os prazeres da vida na companhia de sua parceira eterna. Muito melhor do que qualquer outra opção que só os fizessem sofrer. Estava decidido. Ia encarar o tal troca-troca. Chegou em casa sexta à noite e a chamou:

- Maria Clara!
“Ué, resolveu falar”, ela pensou.
- Quê, Luiz Antônio?
- Sabe aquela história?
- Que história?
- Do... Do...
- Fala, Luis Antônio.
- Do... Do troca-troca.
- Ah. Sei.
- Pois é, eu pensei melhor e acho que pode ser legal.
- É mesmo?
- É.
- Puxa, não sabes como eu fico feliz em ouvir isso?
- Quando podemos fazer?
- Quando tu quiser. Só tenho que ligar e marcar.
- Eu já convidei o Paulão do shopping e a esposa dele.
- Quem?
- É... Ele ficou meio assim, mas acabou concordando.
- Ã?
- Gente finíssima. O Paulão é boa pinta... Ela, mais ou menos. Mas aí, azar o meu, né? Ele convidou até mais um casal amigo deles. Não sei direito quem são, mas levo fé no Paulão.
- Quê?
- Tá tudo combinado!
- Mas Luiz Antônio... Vais trazer 4 pessoas pra comer minha lentilha?
- Que lentilha?

Diga que não estou

Diga que não estou; que saí; que fui viajar; que não posso atender; que ligo depois. Diga que estou em reunião; que estou sem voz; adoentado; amolado; resfriado; que fui ao banheiro; que ainda não cheguei. Fui almoçar, volto logo. "O ramal está ocupado. Quer deixar recado?" Fale que não estou atendendo; que estou em outra ligação ou não me achou em minha mesa. Fale que estou dormindo, com dor de cabeça. Cheguei tarde ontem. Invente qualquer coisa, como que fui comprar cigarros e não voltei. Diga que ninguém me viu hoje ou tem notícias. Ninguém sabe de mim. Que fugi; desapareci. Não deixei bilhete nem avisei a ninguém. "Ele não levou o celular." Mande ver se estou na esquina. Diga que morri.

A Fórmula 1 e o MP3

A revolução digital está fazendo bem à música? As constantes mudanças no regulamento da Fórmula 1 estão surtindo o efeito esperado quanto à popularidade do esporte? Quando as canções que conhecíamos eram, predominantemente, as que as grandes gravadoras impunham, tínhamos mais tempo de contato com cada artista na mídia e mais chances de assimilarmos uma ideia, mesmo que à força; mesmo que ruim. Quando havia a supremacia de uma equipe e um piloto, como Ayrton Senna e Michael Schumacher, criavam-se heróis tão importantes, por exemplo, à formação da personalidade de crianças e que elevavam o nome do esporte. Agora, as opções musicais que temos são tantas, mas tantas, que, na ânsia de ouvirmos tudo, acabamos não ouvindo nada direito. São tão equivalentes as chances de cada time ou piloto chegarem ao pódio que nenhum desponta, chama nossa atenção ou desperta nosso imaginário em busca de um ídolo. "Eu ontem baixei 35 discos." "Pô, viu como o campeonato este ano está equilibrado?"

Parece que estou reclamando que as majors estão perdendo a força e que a música independente tem mais chances de competir? Será que estou discordando que a cauda longa esteja atingindo até o automobilismo? Claro que não precisamos de um filtro com interesses comerciais ao invés de artísticos. Claro que o talento humano deve prevalecer ao poder econômico das máquinas de correr. Claro? Móveis Coloniais de Acaju não deveria estar dividindo as páginas da Rolling Stones com o Paralamas do Sucesso? A Brawn de Barrichello não merece ter as mesmas chances do que a Ferrari de Massa? Eu devo continuar baixando todos os álbuns de todos os artistas que tenho curiosidade e não dar atenção direito a nenhum deles? Devo continuar torcendo por um brasileiro que em um domingo pode vencer e no próximo chegar em último?

As pessoas estão virando pseudoconhecedoras de tudo mas especialistas em nada. Information overload. Será que o ser humano tem vocação para ser dono do seu próprio nariz? Por que estou colocando em dúvida tudo que sempre acreditei? Alguém que tenha a resposta me mande um e-mail, um SMS, uma IM, publica no blog que meu Google Reader me mostra, twitta, liga, manda carta ou picha num muro? Obrigado.

 
 

Uma geração atrás

Sim, eu sou do século passado, como todos que devem estar lendo isto. Mas não é desse tipo de geração que estou falando. Minha questão é sobre equipametos eletrônicos portáteis

Tenho certo constrangimento quando me ponho, em público, a manusear certos gadgets. Explico melhor: quando foi lançado, é claro que eu queria ter um iPod, tanto que comprei pouco depois. Mas preferi um preto e pequeno (Nano). Ao encomendar, achei que os fones também seriam escuros; discretos. Minha intenção era não parecer estar usando um iPod. Era sinal de status andar com fones brancos nos ouvidos, mesmo que o som estivesse saindo de um Jwix ou qualquer outra marca-diabo - sou avesso a modismos e mais ainda a exibimentos. A decepção foi quando chegou e os fones não eram da cor aparelho. Só não fiquei mais frustrado do que com a anatomia e som que saiam dele. Imediatamente resgatei os meus antigos fones Sony que, além de tudo, são pretos.

Uma vez estava em um aeroporto, quietinho com meus in-ear pretos e com o Nano em sua capa de couro no bolso, quando sentou ao meu lado um gurizão com um iPod Video gigantesto, branco e, pasmém, dependurado no pescoço. Deu vontade até de mudar de lugar. Sabe vergonha alheia?

E quando chegaram os celulares? Na época, disse que só teria um quando deixasse de ser extravagante e chamativo atender a uma chamada no meio da "Mesbla", por exemplo. Mas os dito-cujos se popularizaram rápido e logo tive meu telefone móvel. E a Mesbla, coitada, fechou.

Penso o mesmo sobre o iPhone. Claro que eu estou me mordendo pra ter um. Mas imagina eu escrever este texto, no meio da festa de aniversário da minha afilhada, em um iPhone. Ninguém percebeu enquanto eu fazia isso com meu Nokia de 3 anos atrás. Mas não passaria incólume com um iPhone.

O pior é que, à medida que vou ficando mais velho, só tende a piorar.

SAC Wal-Mart

20:37:41 Homer Simpson diz:
Olá Daniel. Como posso ajudá-lo?

20:37:48 Homer Simpson diz:
Boa noite senhor Daniel.

20:38:37 Daniel diz:
estou tentando comprar um produto há uma semana e não consigo

20:38:56 Daniel diz:
já entrei em contato por este chat e me disseram para comprar pelo telefone

20:39:04 Homer Simpson diz:
Qual a dificuldade senhor Daniel?

20:39:36 Daniel diz:
acontece que há um problema no site e vocês não sabem. já testei em diversos micros e diversos navegadores. o erro dá em todos

20:39:42 Daniel diz:
o produto é este: http://www.walmart.com.br/Produto/Eletrodomesticos/De-11.000-a-17.000-BTUs/Brize/Ar-Condicionado-Split-BZ-S-12000-Quente-e-Frio-c--Controle-Remoto.aspx?Filtro=C144_C146_C472&strBusca=

20:40:22 Daniel diz:
já perdi uma chance de comprar com frete grátis por causa disso. agora, não está mais com frete grátis

20:41:18 Homer Simpson diz:
Senhor Daniel, efetuei um teste em sistema com a página do produto e não constou nenhum erro no servidor.

20:41:32 Homer Simpson diz:
Peço que tente efetuar novamente a compra deste produto.

20:43:50 Daniel diz:
coloque o CEP e tente aumentar a quantidade do item para 2

20:46:49 Homer Simpson diz:
Efetuei novamente o teste e com a opção de 2 itens apresentou realmente um erro, neste caso oriento o senhor a efetuar dois pedidos com um item em cada um deles para que não seja apresentado mais nenhum erro.

20:47:18 Daniel diz:
bom, tem dois problemas com relação a isso:

20:47:34 Daniel diz:
1) eu vou pagar um valor maior de frete efetuando dois pedidos em separado

20:48:05 Daniel diz:
2) por causa desse erro, há uma semana atrás, mesmo eu comunicando vocês no mesmo dia, perdi de comprar com frete grátis (promoçào que havia na ocasião)

20:48:50 Daniel diz:
o atendente que falou comigo disse que não tinha erro, mesmo eu insistindo. ele não fez o teste, se negava, pedia para eu entrar em contato com o televendas

20:48:51 Homer Simpson diz:
Compreendo e peço desculpas em nome do Wal*Mart por todo o transtorno, mas no momento essa seria a única opção de compra dos produtos.

20:49:12 Homer Simpson diz:
Ou aguarde o produto entrar novamente em promoção com o frete grátis.

20:49:35 Daniel diz:
e o site vai continuar com erro

20:50:10 Daniel diz:
não acredito que a maior empresa do mundo não tenha interesse em resolver o problema do site e, muito menos, o meu problema

20:50:52 Daniel diz:
esta é a sua resposta final?

20:51:16 Homer Simpson diz:
Neste caso o senhor pode entrar em contato com o Televendas pelo número (11) 3003-6000 opção 1 para que eles possam verificar a possibilidade de ser efetuado dois pedidos e apenas uma cobrança no valor do frete, isso seria o mínimo que podemos efetuar para que o senhor não se sinta prejudicado pelo erro.

20:52:27 Daniel diz:
eu sou deficiente auditivo. Eu não ouço e não falo. Não tenho como entrar em contato pelo televendas

20:52:26 Homer Simpson diz:
Algo mais em que posso ajudá-lo neste momento senhor Daniel?

20:52:59 Daniel diz:
sou surdo-mudo. tem certeza que essa é a minha única opção?

20:53:39 Homer Simpson diz:
Senhor Daniel essa seria a única forma no momento de ajudarmos o senhor com o valor do frete.

20:53:58 Homer Simpson diz:
O senhor pode solicitar para que outra pessoa entre em contato.

20:54:31 Daniel diz:
Muito obrigado pela atenção, Juliano, você foi muito gentil e humano.

20:54:49 Homer Simpson diz:
Para que o Televendas verifique a possibilidade de ser excluído o frete de um dos itens.

20:54:56 Daniel diz:
E passar o meu cartão de crédito para outra pessoa? Nem morto.

20:56:28 Daniel diz:
Entendo sua posição. Está quase chegando às 21h, quando acaba o horário de atendimento e você está cansado, louco pra ir pra casa.

20:57:43 Daniel diz:
Achei que a maior empresa do mundo pretendesse se relacionar bem com clientes portadores de necessidades especiais.

20:59:59 Daniel diz:
será resolvido quando?

21:00:37 Homer Simpson diz:
O erro será solucionado e o senhor pode tentar efetuar uma nova compra no começo da semana.

21:00:49 Homer Simpson diz:
Algo mais em que posso ajudá-lo neste momento senhor Daniel?

21:01:53 Daniel diz:
A essa distância, não. Obrigado.

21:02:06 Homer Simpson diz:
Wal*Mart agradece seu contato e tenha uma ótima noite!!!

Pararam de processar o McDonalds?

 

Vem cá. Não era o McDonalds o principal alvo de ações indenizatórias movidas por cidadãos norte-amercianos obesos? Eles não se viram obrigados a mudar a forma de ofertas determinados itens para não estimular o consumo calórico excessivo? Por exemplo, aquela história de oferecer “um refrigerante maior por apenas X a mais” não tinha sido suspensa? A exposição privilegiada das informações nutricionais de seus lanches não tinha se tornado mais do que obrigatório? O estímulo ao alimento sem qualidade não estava sob judice e, até, para disfarçar, colocaram aquelas maçãzinhas hipócritas em um canto qualquer?

Então, por que eu me deparo hoje com este texto estampado nos copos de suco? “A sua boca está prestes a ser invadida por uma sensação de refrescância e sabor sem igual...” Até aí, tudo bem. Tá bonito. Mas “... Você aguenta esperar?” é demais. Os caras querem que tu comece a tomar a porra da bebida antes de chegar o teu lanche. É por isso que servem antes (como em qualquer restaurante), mas apelar para o verbal grafado desta forma no copo é um pouco demais. Viajei?

Parece que o McDonalds, que passou por uma crise recentemente em todo o mundo, está querendo mudar seu conceito comercial. Ao invés de apostarem no giro rápido de clientes, por causa de sua redução, está investindo no aumento da permanência e do consumo em seus restaurantes. Muitos já não têm mais as desconfortáveis mesas e cadeiras fixas ao chão. Substituiram por assentos mais confortáveis para estender a visita dos consumidores.

This is it

Todo mundo se lembra onde estava exatamente quando soube de alguma passagem histórica importante. O atentado de 11 de setembro de 2001, a morte de Ayrton Senna, de Tancredo Neves, etc. Eu não me esquecerei também do dia 25 de junho de 2009.

Era quinta-feira. Pela manhã, soube do falecimento de Farrah Fawcett, eterna Pantera, sem maiores emoções. À tardinha, fui mais cedo pra casa, pois minha mulher tinha reunião 19h e eu precisava ficar com as meninas. Malu estava vendo desenho e, em uma de suas saídas da sala, dei uma de criança e troquei de canal. Comecei a zapear e parei no Multishow, onde iniciava o clipe de Black or White. Chamei a Malu pra ver. Fazia uns 10 anos que não assistia e fiquei curioso para analisá-lo novamente, ao mesmo tempo que apresentava para minha filha de 4 anos aquele ícone mundial. O clipe era legendado e, enquanto lia os versos para ela, pensava na qualidade da poesia que, mesmo com a tradução literal se fazia competente. "Filha, sabe quem é este?" "Não." "É o Michael Jackson." "Ele tem cara de mulher, né, pai?" "Eheheh. É. Tem." Ela ficou encantada com o clipe, com as danças e efeitos. Quando acabou, saiu da sala novamente. Na sequência, começou outro clipe dele, do álbum Off The Wall. Estranhei. "Dois clipes consecutivos?". Minha surpresa durou pouco. Logo, surgiu no topo da tela uma mensagem discreta que dizia algo como "O cantor Michael Jackson teve um infarto e está em coma. Alguns jornais divulgam sua morte." Claro que levei um choque. Como toda criança, em 1982 eu tinha (e tenho ainda) o Thriller em vinil. Há poucos anos, comprei em CD também. Imitava seus passos, queria sua jaqueta vermelha, mas, confesso, tinha certo medo do clipe do lobisomem. Saí procurando um canal de notícias. Parei na Band News que transmitia imagens do hospital. A multidão se algomerava. "Será uma noite longa", pensei. Mandei um SMS pra minha mulher: "O Michael Jackson morreu." Ela me ligou, em seguida, perplexa. Expliquei. Twittei por SMS "o Michel Jackson morreu?". Resolvi logar. Todo mundo já twittava sobre o assunto. A Internet ficou instável. Os jornais, um a um, iam confirmando sua morte, menos a CNN que ainda noticiava "unconfirmed". Fiquei torcendo para que fosse mais uma das artimanhas de marketing do astro. E tinha dois bons motivos: além de salvar a vida de um gênio, seria um case incrível. Estava certo que, dentro de alguns instantes, a CNN daria a versão correta e faria o mundo respirar aliviado.

Desde a divulgação dos shows em Londres, Michael não saia dos noticiários uma semana sequer. Primeiro eram 10 shows, depois mais tantos, depois eram cinquenta, a escolha do set list pelos fãs no site, as vendas dos ingressos, os boatos, os fãs... Um trabalho primoroso de marketing e assessoria de imprensa para não tirar o nome do Rei do Pop da mídia. Mas a CNN não seguiu o meu roteiro imaginário e, logo após, William Bonner também emprestava voz para o triste desfecho: "Micheal Jackson está morto".

O artista que começou sua carreira aos 5 anos, vinha passando por um ostracismo musical e financeiro muito grande. Os 50 shows serviriam para colocá-lo de volta no mercado e saldar suas dívidas. Antes da promessa de volta aos palcos, eu comentava com meus amigos que a solução para ele, na minha opinião, seria fazer um show só voz e piano, mostrando todo seu talento inequívoco. Em determinado ponto, subiria sobre o instrumento e executaria seus passos desconsertantes, levando os fãs ao delírio. Mas Jacko era megaestrela e não se contentava com simplicidades. A rotina de ensaios combinada com sua frágil condição física foi arrebatadora.

Michael não queria envelhecer; queria ser jovem pra sempre. E é assim que lembraremos dele.

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Procurando por um link oficial do cantor para colocar neste post, cheguei, é claro, a www.michaeljackson.com. A home está recebendo mensagens de condolências do mundo inteiro, como um imenso blog. Eu postei a minha. Elas ficam publicadas por ordem de data. A minha foi postada dia 27/06, às 4:13PM, junto com outras 150 no mesmo minuto. 150 no mesmo minuto! E já se passaram 2 dias.

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