
Sobre Fresno e outras coisas
Sim. Odeio emo. Música emo. Contra os emos (pessoas) não nutro sentimentos. Não gosto da música da Fresno, pois são baseadas em fórmulas. Se eu gostasse de fórmulas, tinha feito química. Também não gosto das letras da Fresno, pois são bobocas, recorrentes. Quando ouço, fico pensando “por que ele escreveu isso assim? por que usou esta palavra e não esta outra?”. Estou falando da Fresno porque, ao meu ver, está no topo da cadeia alimentar, apesar das calças de mulher que o vocalista usa. O resto é muito pior. Porém, Fresno é uma das bandas que eu respeito, pois souberam se posicionar no seu segmento, tocam muito bem, cantam muito bem, têm bons arranjos. O show deles deve ser muito bom.
A última coisa que eu quero no mundo é agir como os mais velhos, quando eu ouvia as minhas músicas: “Isso é música de maluco! Não faz o menor sentido! As músicas da minha época é que eram boas! Pelo volume do instrumento, o baterista deve ser o dono da banda!”. Por isso, eu sempre me dedico um pouco a tentar assimilar o que as novidades têm de bom. Tá tocando no rádio? Deixo rolar. Tão ao vivo na TV, mais ainda. Claro que, nesse processo de assimilação, tenho medo de aceitar demais e acabar vendo qualidade onde não existe, mas esse forma de pensar me é útil, principalmente, como publicitário.
Outra que eu respeito muito é a Pitty. Eu nunca compraria um disco dela. Não é meu estilo. Mas ela é muito competente. Além do mais, gosto do aspecto autoral do trabalho. É muito sincero e visceral. Gosto de trabalho atual, meio jovem-guarda. Vejo Roberto Carlos cantando junto a ela em seu especial de fim de ano. Ele só trocaria a parte que diz “… que me acha foda” por “…que me acha joia”. Mas acho que ela não se importaria.
Restaurantes de Pelotas: Creperie

Foto meramente ilustrativa catada da Internet.
Sou péssimo com datas. Chutaria uns 10 anos de idade. Vi a criação da Creperie, na Anchieta entre Bento e Argolo, com os fundadores Schaun (Luiz) e Ana. Eu e meus amigos chegávamos a ir 2, 3 vezes por semana. Drinks sensacionais, massa perfeita, recheios saborosos. Tive o agrado de ver no cardápio um coquetel sugerido por mim, que misturava vodka, leite condensado e suco de laranja. Estava lá: "EFS dos Cuca" (traduzindo: "Essa Foi Sugestão do Cuca"). Bebidas e comidas, tudo feito com muito tesão e dedicação. Mudaram-se para a Gonçalves, em frente ao Diamantinos, mantendo o mesmo padrão. Só que é aquilo: restaurante é pra quem nasceu pro negócio – Schaun e Ana cansaram da rotina exaustiva. Antes de abrir mão da qualidade, resolveram vendê-lo. Depois da troca de dono, foi para onde é até hoje, na Avenida, em um espaço mais caprichado e bem decorado. Porém, o crepe nunca mais foi o mesmo. A primeira mudança perceptível foi na massa. Ficou mais fina e crocante – o que, por si só poderia ser até uma vantagem, não fosse pela também alteração dos recheios, a começar pelo meu preferido. O de chili, pasmém, parece ter tido o ingrediente principal (o chili: pimenta) suprimido. No geral, todos os recheios salgados caíram no problema que restaurantes sem personalidade cometem (e aí, chuto de novo o motivo): no anseio de agradarem a todos os clientes, reduzem o sal – porque uns clientes têm pressão alta; os temperos – porque alguns levam as crianças e, não sei de onde tiraram que os mais jovens devem comer comida sem graça; a pimenta – porque outros foram criados pela avó e a coisa mais forte que comeram na vida foi molho de mostarda à base de milho; e acabam não agradando ninguém – insípidos, inodoros e incolores.
Já fui umas dez vezes no endereço atual e, a cada uma, parece que o problema se agrava. Na última, que motivou este post, além da falta de sabor, a massa veio a um passo de estar queimada, em pelo menos dois dos pedidos de nossa mesa. Pô! Errou a massa? Joga fora e faz outra. Não deve ter nada mais barato do que uma massa de crepe.
Fora as especialidades que dão nome à casa, e disponíveis apenas à noite, ao meio-dia servem um almoço executivo em um nível acima dos crepes. Comida honesta, limpa e saborosa. Difícil de entender a disparidade. Uma pena, pois eu preferia que fosse ao contrário, afinal, crepes não tem em tudo que é lugar mas buffet da balança, sim. E é claro que quando falo em “crepe” não me refiro às aberrações que vendem em carrocinhas e chamam "suíSSos".
O Natal de Sean
Sean tem 9 anos. Sua mãe morreu ao dar à luz o seu segundo filho. Com a ausência materna, as crianças foram criadas pelos avós e pelo padrasto. O pai de Sean, norte-americano, foi deixado pela mãe de Sean, brasileira, quando ela veio de férias ao Brasil, trazendo Sean, e nunca mais voltou. Não sabemos os motivos da mãe, os motivos do pai e nem dos avós. Mas todo mundo sabe que não ter mãe é algo que não faz ninguém melhor.
A família brasileira de Sean, incluindo seu padrasto, cuidou do menino, como acredito que devesse ser a vontade da mãe. Mas o pai de Sean não estava feliz e resolveu pedir sua guarda. Da mesma forma com que os avós não permitiam um maior contato paterno, o pai resolveu, através da justiça, agir. O processo internacional arrastou-se por anos e, neste mês, o governo brasileiro intrometeu-se definitivamente. Em troca de uma votação favorável no senado americano sobre questões que dizem respeito a relações comerciais com os Estados Unidos, o STF posicionou-se a favor do pai. Segundo declaração de Hillary Clinton, o país agiu de acordo com as leis internacionais - mais precisamente a Convenção sobre Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças (Convenção de Haia, de 1980). Só que Sean foi usado como moeda de troca pelos nossos governantes. O pai de Sean foi autorizado a levar o menino embora e o fez. A avó de Sean foi proibida de acompanhar o neto no voo até o autodenominado país da liberdade. As visitas também estão proibidas.
Não interessa quem está com a razão nessa história, se o pai, os avós, a justiça... Ninguém deu a mínima para Sean. Ninguém sabe o que Sean pensa e sente. Sean é só uma criança. Ele passou o Natal com seu pai nos parques da Disney. Como se fosse possível comprar o amor de uma criança com um algodão doce. Não há Mickey que faça-o sentir-se amparado, seguro, amado e feliz.
Este foi o Natal de Sean.
Um feliz ano novo, sem hífen
Por que as pessoas acham que "Ano-novo" sempre leva hífen?
- "Feliz Ano-novo!", escrevem.
Por quê? Se é o mesmo que dizer "feliz novo ano". Então seria também "feliz novo-ano"? Na minha humilde opinião, só leva hífen quando nos referimos à festa: "onde vais passar o Ano-novo?" Obviamente, a pergunta não faz referência ao local onde se irá passar o ano que chega, mas ao da comemoração da virada. Neste caso, um substantivo e um adjetivo se unem para formar um siginificado diferente do que têm seperados, por isso o tracinho.
Viagem no Tempo

Nunca estudei a teoria de Einstein sobre espaço-tempo, mas, como um perfeito idiota preguiçoso, penso a respeito.
Acompanhe. Se uma imagem é a reflexão da luz em um objeto; se a luz leva um tempo X para percorrer uma distância; se quanto mais longe estivermos de algo mais tempo leva para o vermos; se com um telescópio muito foda podemos ver galáxias e planetas como eram em algum tempo passado; se pudéssemos viajar acima da velocidade da luz, poderíamos ver a nós mesmos no passado. Bom, até aí tudo bem. É possível ver o que passou, em teoria. Mas e para testemunhar o futuro? Se quanto mais rápido nos movemos - acima da velocidade da luz - mais retroativa é a visão de nosso ponto de partida, significa que quanto mais devagar ou parados estivermos poderíamos ver o futuro? Eu sabia que a lerdice, a falta de ânimo e movimentação poderiam levar a algum lugar! Basta esperar que o futuro chega.
Ambíguo
Venho escrevendo isto há algum tempo.
==============
É o que me mata, me mantém vivo
É o meu crime e meu castigo
É minha dor. É meu alívio
É meu lado ambíguo
É meu veneno e meu antídoto
É meu sufoco e meu respiro
É meu relento. É meu abrigo
É o que eu suplico
É meu vento e meu vestido
Meu estilingue e meu vidro
É o meu filme. É o meu livro
É só meu prejuízo
É meu cheio e meu vazio
Minha prece e meu sino
É meu brinco. É meu ouvido
É meu sorriso contido
É congelar ao sol
Pescar o anzol
É tempo perdido
É reler o relido
É autodestruição
Pular do avião
É furar o balão
Sou eu em cacos de vidro
Idotas do natural
Com frequência vou à loja Mundo Verde comprar barrinhas de chocolate sem lactose para a Malu. Na última vez, havia uma cliente que perguntava sobre todos os produtos: "e este aqui?", "quanto custa?", "é bom?. Prestativa, a atendente respondia. Peguei o que queria e fui pagar. A mulher meteu o olho no que eu levava e perguntou:
- O que é isso? Chocolate?
- É.
- E é bom?
- Bem bom.
- Da próxima vez vou levar. Adoro coisas naturais.
- Mas não é "natural". É só sem lactose.
- Sem o quê?
- É que minha filha tem intole...
- É que eu gosto de coisas naturais, coisas saudáveis. Quanta coisa boa você têm, né? Adorei esta loja. Vou vir sempre aqui. É bom a gente se alimentar bem.
- ... (não conseguiria falar nem se eu quisesse).
- Vou vir sempre aqui. Tchau.
Olhei para a atendente que não segurava o riso. "Como tem gente louca." Simpática, fez apenas uma cara de "nem imagina", meio que respeitando o meu eu-cliente. Mas não se conteve: "isso foi soft, tem que ver o que aparece". Lembrei de quando tínhamos a locadora de DVDs e me solidarizei imediatamente com ela. Se para alugar filmes já se passa por poucas e boas, imagina em uma loja com apelo natural, cheia de produtos naturais e pretenso-naturais. Nessa moda de ecoengajamentos e preocupações com a saúde de qualquer espécie - na maioria das vezes, totalmente equivocadas - meu pai classifica estes tipos como os "idiotas do natural". E assim o são. Pessoas que mal sabem o que fazem mas vão na onda.
O flyer mais criativo do mundo

Dobrei e coloquei no bolso.
É comum, na entrada do supermercado, entidades assistenciais entregarem folhetos pedindo doações de alimentos. Sábado, recebi mais um, amarelo. Dei alguns passos e levei os olhos para ler. Estava em branco, dos dois lados. "Uau!" O que aquilo queria dizer? Comecei a viajar.
1) Que eu devia fazer um exame de consciência e agir da melhor forma possível com relação ao mundo, minha cidadania, etc? Que legal. Uma ação de inspiração artística com função reflexiva. Que nível de eficiência poderia ter?
2) Que se tratava de uma instituição de deficientes visuais, ludibriada pelo pessoal da gráfica ao receber seus impressos em branco? Mas quem teria a coragem de enganar um ceguinho?
3) Que, como a ação em supermercados é sempre para arrecadação de alimentos, não é necessário mais imprimir o apelo, basta repetir o gesto? Futuramente, nem folhetos mais seriam necessários, apenas a presença dos voluntários.
Na saída, reparei no calhamaço de onde eram distribuídos. Não estavam em branco, não. Tratava-se de material do Banco de Alimentos, com a arte tradicional. O que recebi, em branco, estava perdido entre os demais. Poxa! Que decepção. Eram tão mais interessantes as minhas deduções.
O bestial futebol
Aqui no sul, todo mundo só fala neste final de Campeonato Brasileiro. O Internacional pode ser campeão se houver uma combinação de resultados que inclui a vitória do Grêmio sobre o Flamengo no próximo jogo. Como manda a ridícula tradição do futebol, os torcedores preferem a desgraça do seu rival do que a vitória do seu time. Tanto os fanáticos tricolores quanto a esquadra gremista e seus dirigentes não escondem a intenção de perder propositalmente a partida contra o rubro-negro para prejudicar seu conterrâneo desafeto colorado. Agora me diga: como a CBF, a FIFA, a mãe de cada jogador, o bispo, Deus, ou sei lá a quem mais cada um deles deve satisfação ética, legal, espiritual, ou moral, permitem que tamanha antiesportividade e falta de vergonha-na-cara aconteça sem punição? Não é o esporte que ajuda a formar o caráter do jovem, a construir uma nação patriota? Não é o esporte que une pessoas e povos em torno de disputas saudáveis; que inspira os homens a ultrapassarem seus próprios limites? Não é o esporte que nos ensinou a máxima "o que importa é competir"?
A disputa entre torcidas em tom de brincadeira é saudável. Cultivar a raiva e a falta de escrúpulos e de espírito esportivo é desprezível. Se esse tipo de conduta é condenável em outros níveis, como o profissional (quando se sabota um concorrente) e o social (quando se prejudica um amigo) para obter-se qualquer tipo de benefício, por que é tolerável no âmbito esportivo?
É por essas e outras que eu não acompanho futebol. Prefiro Mario Kart.
Maldita Glória Kalil
Ela era desligada, ele chato. Estavam namorando há 5 dias. Foram almoçar juntos pela primeira vez. Serviram-se no buffet, pesaram os pratos e sentaram. Ele reparou em como ela comia. Não resistiu.
- Ã...
- Quê?
- É que...
- Fala.
- Ah, nada. Nada. Deixa assim.
- Agora fala, né?
- Não. Era uma besteira. Esquece.
- Sabe que eu sou curiosa?
- Sei. Sei, tô sabendo. (risos)
- Então? Não vai falar?
- É que eu pensei, mas achei melhor não falar. Por que, realmente é algo sem importância.
- Mas eu vou morrer se você não contar. Tá sabendo?
- Eu sou muito de falar sem pensar. Dessa vez eu pensei. Se fosse algo importante eu falava.
- Sei...
- Às vezes, a gente fala e a outra pessoa entende aquilo como algo ruim. Eu não quero que você ache a coisa errada.
- Olha, vou ser sincera também.
- Por favor.
- Não me importa o que você fala. Importa o que você pensa.
- É?
- Claro. Se eu estou com alguém é pelo o que ele é, e não somente pelo que ele fala.
- Faz sentido.
- Então, se você pensou algo que se eu soubesse me faria brigar com você, é porque o que você pensa não é o que eu gostaria que pensasse; não é o que eu espero de um namorado.
- Acho que você está complicando uma coisa simples.
- Melhor complicar agora do que depois, não acha?
- É?
- É.
- Quer que eu complique também?
- Quero.
- Então, agora, vou falar.
- Pode falar.
- É que você usa a faca para colocar a comida no garfo.
- E daí?
- Daí, é que faca é pra cortar, não para colocar o máximo de comida possível no garfo!
- A Glória Kalil diz que pode.
- Duvido.
- Diz, sim. Eu vi no Fantástico.
- Ah, viu?
- Vi.
- Então, tá bom. Mas eu não gosto.
- É porque você é cheio de manias!
- Muito prazer. Este sou eu.
- Muito prazer. Esta sou eu. E até mais ver.
- Isso é um tchau?
- É. Um adeus.
- Quer saber mais?
- Hf.
- Você come feio pra caralho!
- Grosso!
Ipi, Ipi, Urra!

O Governo estendeu, mais uma vez, a redução do IPI para automóveis até março de 2010. Só que desta vez, apenas para carros de combustão flexível, que permitem o uso de álcool ou gasolina. É uma tentativa de conter as emissões de CO2. Há quem diga que os motores à álcool poluem tanto quantos os convencionais. Mas isso é outro assunto. Se a intenção é estimular o consumo de bens e serviços "verdes", por que não subtaxar também a bicicleta, o transporte coletivo, os patins, o skate, o tênis de caminhada, o patinete, o carrinho de rolimã, o planador, os balões de aniversário para padres e o pogobol? Será porque 2010 é ano eleitoral e a indústria automobilística apoia... Ã... O... Ah, não. Claro que não. Imagina. No Brasil? Não, mesmo.
Nunca se vendeu tanto carro no país. E a crise mundial? O consumidor esqueceu. Tudo psicológico. Enquanto isso, ao invés de incentivar a produção de bens ecoeficientes, o não-desperdício e a eficiência do trânsito, o Governo joga mais carros nas ruas, faz "girar" a economia e, pasmém, aumenta a arrecadação.
Faith No More no meu K7
Demorei demais e não vou comentar o show do Faith No More em Porto Alegre. Na real, não tenho muito o que escrever, por 2 motivos: (1) pulei e cantei feito um louco, coisa que eu nunca faço em shows, e, então, não tenho nenhuma opinião muito crítica - resolvi me divertir ao invés de ouvir e observar; (2) o Leo escreveu brilhantemente - compartilho de tudo o que ele disse (leia aqui).

Conheci o Faith No More por 1990 (ou antes), no álbum The Real Thing. Fiquei maluco pela mistura de metal, funk e boas melodias. Era totalmente inovador. Era época em que as fitas K7 passavam de mão em mão. A gente locava CDs na Alfaveloca (que nomezinho...) – uma locadora de CDs que tinha em Pelotas, e gravava. Era o nosso paraíso, cheio de discos importados. Eu me considerava o rei da gravação. Achava que fazia melhor do que ninguém. Os discos longos, que os outros não conseguiam colocar em fitas, cabiam nas minhas. Eu sabia exatamente quanto tempo tinha de cada lado do K7. Variava de marca pra marca. As Basf 60, por exemplo, comportavam 31:20 em cada face (pelo menos na rotação do meu tape deck Philips). Eu pegava o tempo de cada faixa, somava e, é claro, desconstruia a ordem original dos CDs, programando a sequência ideal de reprodução no aparelho para preencher ao máximo a primeira metade. Assim, sobrava mais espaço do lado B. Nunca faria isso hoje, é claro. (Aliás, os CD-players de hoje – ou, melhor, DVD-players - permitem programar a ordem desejada? Nem sei como fazer). Depois, escrevia o nome das músicas na máquina elétrica da minha mãe, fazia uma capinha com alguma foto de revista recortada, inseria o papel datilografado no lado de dentro e pronto, tinha minha fitinha personalizada semioficial. Lembro que a do The Real Thing, tinha uma imagem esverdeada dos 5, recortada de uma Bizz (ou Showbizz, não lembro qual era o nome na época).
Fiquei maluco quando vi na MTV, na casa do Nélio que tinha antena parabólica, as primeiras imagens da banda. Aquele som que me fascinava agora tinha uma cara. A banda era foda, cheia de estilo, e a expressão de louco de Mike Patton fazia jus à genialidade musical que eu percebia nas melodias. O clipe era de Epic e nem a tosquice da explosão do piano ao final da música comprometia minha devoção.

Em janeiro de 1991, tinham vindo ao Rock in Rio 2, que não fui, mas gravei da TV em VHS. Mike Patton escalando a estrutura metálica do palco é o que eu mais lembro. Logo, comecei a perceber que a banda underground que eu conhecera meses atrás estava conquistando mais fãs pelo mundo. Quando a gente descobre algo antes da grande mídia, se acha meio dono dela. E eu me considerava assim.
Mas no dia 27 de setembro de 1991, vieram a Porto Alegre. "Como? A minha banda favorita aqui?" Claro que eu fui numa excursão. Tinha prova de química no dia seguinte, mas azar. Foi de bate-e-volta. Acho que era meu primeiro show internacional. O Gigantinho quase explodiu. Quem abriu foi a Maggie's Dream, do ex-menudo Robby. Que escolha inapropriada! Depois de alvejado por revistas Bizz, distribuídas gratuitamente para o público, todos, em protesto, sentaram-se no chão. O porto-riquenho e sua banda de rock passaram um grande vexame.
Agora, 18 anos depois, para o show em Porto Alegre, juntamos 4 colegas que estavam no Gigantinho em 91 e repetimos a dose. Talvez pela nostalgia do momento é que eu tenha me empolgado tanto e voltado à adolescência. É bom quando você se permite curtir de verdade. Em janeiro tem Metallica.
No escurinho é mais gostoso

As pessoas costumam reclamar quando algumas ruas carecem de iluminação pública. Os motivos são dois: enxergar para deslocar-se e a segurança. Quanto ao deslocamento, se cada um levasse uma vela, um lampião ou uma lanterna, estaria resolvido. Ainda por cima, com muito menos custo do que a manutenção do sistema público exige. Com relação a carros, cada um tem seu farol. Não existem sem. É lei. No quesito segurança, quem conhece pesquisas que indiquem que a falta de luz aumenta a criminalidade? O escuro, o soturno, as sombras são muito usados nas artes para despertar suspense, medo e aflição. Mas quem disse que esses elementos da ficção têm consequências concretas na realidade? Um ladrão enxerga o mesmo que eu, tanto na luz do dia quanto na escuridão. Um estuprador não usa um aparato de visão noturna que lhe dê vantagem visual contra sua vítima. Um vampiro... Nem mesmo um vampiro teria vantagem à noite. Ele teria é desvantagem de dia, pois não suportaria a luz do sol. Mas, nesse caso hipotético, a iluminação pública artificial também não ajudaria, pois é apenas com raios solares que ele padece.
Mas voltando a falar sério... O cidadão está em igual condições visuais com o infrator tanto na luz quanto no escuro. Não é a quantidade de lux que vai garantir sua segurança ou vitimá-lo. Sabe aquela história de deixar uma lâmpada acessa no pátio de casa, na varanda? Sou contra. Quem melhor do que eu conhece minha casa, meu jardim? Quem sabe onde termina a grama, começa a brita; sabe a altura dos degraus, das saliências, a posição das árvores, a distância do muro, onde a mangueira está enrolada? Quem leva vantagem no escuro? É claro que eu. Se nas ruas há um empate, na minha casa, sou o mestre.
Quer outro fato que comprova minha tese? Imagine um pedestre cego. Claro que seria um alvo fácil. Mas agora visualize um bandido também cego pronto para atacá-lo. Claro que sempre o agressor tem a vantagem da iniciativa, mas isso nada tem nada a ver com a condição visual.
Voltando ao vampiro... De repente, algum deputado propõe um projeto para disponibilizar estacas públicas, a cada cem metros, nas ruas, ao lado das lixeiras, caixas de correio ou orelhões. Aí, sim! Se lembram? Já até tentaram algo semelhante com o kit de primeiros socorros e com o cambão nos carros.
Água de Melissa na Feira do Livro

Minha teoria da conspiração sobre a morte (ou não) de Michael Jackson e suas consequências
Para mim, a morte providencial de Michael Jackson é a peça-chave em sua estratégia de "revitalização" e recapitalização. Somam-se a isso as declarações polêmicas de familiares, escândalos instantâneos, fortíssima assessoria de imprensa e demais artimanhas - pronto: tem-se o maior e mais eficiente plano de ação jamais visto. Além das coisas que todos já sabem e falam por aí, tenho alguns outros pontos e suposições a levantar.
O filme
Cercado por forte campanha publicitária, estreiou semana passada o documentário "This Is It". O projeto, lançado apenas 3 meses após a morte do artista (como pode?), mostra os bastidores dos ensaios para a temporada de 50 shows que o astro faria em Londres. O filme desmitifica a imagem de um Michael Jackson frágil, ingênuo, doente, manipulado, inacessível e... esquisitão. Ou seria melhor dizer "remitifica"? O que se vê é um artista consciente, ativo, perfeccionista e dono do seu próprio nariz. Sim, até o nariz está lá. Dizem que seu rosto é a soma de próteses, maquiagem pesada e dezenas de operações plásticas. Mas o que a edição mostra em detalhes é um rosto - se não, até, bonito - totalmente aceitável ou, no máximo, excêntrico. Afinal, é a face de um artista, então, qualquer maluquice tá valendo. Não estou querendo dizer que o lançamento pretende forjar uma nova imagem do cantor. Minha questão é a seguinte: será que Michael era aquele bichinho acuado que a mídia nos vendia e que corroborava com a predisposição de uma morte prematura desse tipo? Na tela, ele dança, corre - talvez não como um rapaz de 20 anos, mas, sem dúvida, como um homem de 50, normal, em forma - canta em perfeita afinação esbanjando versatilidade, alcance vocal e sentimento, sem truques, sem playback. Essa é a pessoa viciada em sedativos que, para (dormir, não) apagar, administrava-se droga potente comum em intervenções cirúrgicas? Quer dizer que, na noite anterior a cada um dos ensaios, havia passado por um processo similar ao de uma anestesia geral? Você já tomou uma anestesia geral e saiu correndo, dançando e pulando no dia seguinte?
Ingressos
Nem todo mundo devolveu os ingressos comprados antecipadamente. Não tenho dados, mas acredito que quase ninguém. São negociados como raridade, cobiçados pelos fãs e oferecidos como prêmio em promoções de divulgação do filme. Raciocine comigo: e se após o ocorrido, a produção do show resolvesse imprimir mais ingressos para sortear em ações de divulgação do filme? Ou alguém pensa que estão usando os poucos que foram devolvidos? E se imprimissem para, além disso, vender na Ebay? Olhe este por US$499,00.
Funeral
Quem conseguiria organizar um evento de tamanha envergadura, com venda de ingressos, programa impresso, vídeos exclusivos projetados nos telões, em apenas 10 dias?
O corpo
Quem viu o corpo de Michael? Será que nenhum médico, assistente, enfermeiro, embalsamador ou faxineiro do hospital sacou o celular do bolso e tirou uma foto? Qualquer evento, por menor que seja, é alvo de centenas de fotógrafos amadores. Imagina se deparar com a pessoa mais famosa do mundo, morta, ainda por cima? O ser humano é podre, não perderia a oportunidade.
Se você tem alguma constatação que indique afinidade com esse pensamento, deixe comentário aqui. Quero saber de outros fatos sobre essa teoria da conspiração.
|
|
|


 |
Meu Perfil BRASIL , Homem , de 26 a 35 anos |
|
|
 |
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Visitante número:
|
|
|