Todo mundo se lembra onde estava exatamente quando soube de alguma passagem histórica importante. O atentado de 11 de setembro de 2001, a morte de Ayrton Senna, de Tancredo Neves, etc. Eu não me esquecerei também do dia 25 de junho de 2009.
Era quinta-feira. Pela manhã, soube do falecimento de Farrah Fawcett, eterna Pantera, sem maiores emoções. À tardinha, fui mais cedo pra casa, pois minha mulher tinha reunião 19h e eu precisava ficar com as meninas. Malu estava vendo desenho e, em uma de suas saídas da sala, dei uma de criança e troquei de canal. Comecei a zapear e parei no Multishow, onde iniciava o clipe de Black or White. Chamei a Malu pra ver. Fazia uns 10 anos que não assistia e fiquei curioso para analisá-lo novamente, ao mesmo tempo que apresentava para minha filha de 4 anos aquele ícone mundial. O clipe era legendado e, enquanto lia os versos para ela, pensava na qualidade da poesia que, mesmo com a tradução literal se fazia competente. "Filha, sabe quem é este?" "Não." "É o Michael Jackson." "Ele tem cara de mulher, né, pai?" "Eheheh. É. Tem." Ela ficou encantada com o clipe, com as danças e efeitos. Quando acabou, saiu da sala novamente. Na sequência, começou outro clipe dele, do álbum Off The Wall. Estranhei. "Dois clipes consecutivos?". Minha surpresa durou pouco. Logo, surgiu no topo da tela uma mensagem discreta que dizia algo como "O cantor Michael Jackson teve um infarto e está em coma. Alguns jornais divulgam sua morte." Claro que levei um choque. Como toda criança, em 1982 eu tinha (e tenho ainda) o Thriller em vinil. Há poucos anos, comprei em CD também. Imitava seus passos, queria sua jaqueta vermelha, mas, confesso, tinha certo medo do clipe do lobisomem. Saí procurando um canal de notícias. Parei na Band News que transmitia imagens do hospital. A multidão se algomerava. "Será uma noite longa", pensei. Mandei um SMS pra minha mulher: "O Michael Jackson morreu." Ela me ligou, em seguida, perplexa. Expliquei. Twittei por SMS "o Michel Jackson morreu?". Resolvi logar. Todo mundo já twittava sobre o assunto. A Internet ficou instável. Os jornais, um a um, iam confirmando sua morte, menos a CNN que ainda noticiava "unconfirmed". Fiquei torcendo para que fosse mais uma das artimanhas de marketing do astro. E tinha dois bons motivos: além de salvar a vida de um gênio, seria um case incrível. Estava certo que, dentro de alguns instantes, a CNN daria a verão correta e faria o mundo respirar aliviado.
Desde a divulgação dos shows em Londres, Michael não saia dos noticiários uma semana sequer. Primeiro eram 10 shows, depois mais tantos, depois eram cinquenta, a escolha do set list pelos fãs no site, as vendas dos ingressos, os boatos, os fãs... Um trabalho primoroso de marketing e assessoria de imprensa para não tirar o nome do Rei do Pop da mídia. Mas a CNN não seguiu o meu roteiro imaginário e, logo após, William Bonner também emprestava voz para o triste desfecho: "Micheal Jackson está morto".
O artista que começou sua carreira aos 5 anos, vinha passando por um ostracismo musical e financeiro muito grande. Os 50 shows serviriam para colocá-lo de volta no mercado e saldar suas dívidas. Antes da promessa de volta aos palcos, eu comentava com meus amigos que a solução para ele, na minha opinião, seria fazer um show só voz e piano, mostrando todo seu talento inequívoco. Em determinado ponto, subiria sobre o instrumento e executaria seus passos desconsertantes, levando os fãs ao delírio. Mas Jacko era megaestrela e não se contentava com simplicidades. A rotina de ensaios combinada com sua frágil condição física foi arrebatadora.
Michael não queria envelhecer; queria ser jovem pra sempre. E é assim que lembraremos dele.
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Procurando por um link oficial do cantor para colocar neste post, cheguei, é claro, a www.michaeljackson.com. A home está recebendo mensagens de condolências do mundo inteiro, como um imenso blog. Eu postei a minha. Elas ficam publicadas por ordem de data. A minha foi postada dia 27/06, às 4:13PM, junto com outras 150 no mesmo minuto. 150 no mesmo minuto! E já se passaram 2 dias.
Certa vez, minha mulher perguntou por que eu insistia na minha banda e me aplicava tanto na, então, gravação do nosso segundo trabalho. Respondi que procurava por algo que eu tivesse orgulho de ter feito. Sou muito crítico comigo mesmo e, até nas coisas pelas quais nutro certa vaidade, sempre tem um porém que não me deixa 100% satisfeito. O 1º Musicalda Fenadoce foi, talvez, a primeira produção da qual eu participei e que tive plena convicção, sem poréns, da qualidade alcançada e da importância que tem (e que próximas edições terão) para a música e a cultura da região. Claro que já temos uma grande lista de ítens a serem aprimorados, caso venhamos a realizar no próximo ano, mas eu estou pleno e satisfeito com o que já alcaçamos. Foram 255 inscrições, 70% da cidade de Pelotas.
Há 26 anos não acontecia nada similar, plural e nacional por aqui. Outros festivais realizados, pelo que temos conhecimento, sempre foram segmentados em determinados estilos. Qual o problema disso? Nenhum. Mas optamos por um formato em que pudéssemos ter atenções e a inscrições ampliadas. Queríamos resgatar a verve dos antigos festivais da TV. O que pensamos que poderia ter sido uma disputa acirrada entre gêneros distintos, mostrou-se ser muito mais amigável e construtiva do que vemos entre artistas do mesmo estilo. Chegamos a um nível de excelência nos vencedores que, tenho certeza, fez nenhum dos concorrentes questionar o resultado. Algumas variações, é claro, podem ser cogitadas devido a gostos individuais, mas a qualidade dos eleitos é inequívoca.
Em breve, sairá o CD com as apresentações ao vivo das 14 finalistas. Será um belo registro que marcará um momento na história musical da cidade. Eu estou muito orgulhoso de ter feito parte disso.

Aquecedor Harman YE2200FE
Durante quase toda minha vida, usei chuveiro elétrico. Pelo menos dos 8 aos 34. Foram aparelhos dos mais chinfrins aos mais sofisticados. Mas posso garantir: todos uma bela bosta. Quando a água é pouca, ele aquece. Quando a água é muita, ele não dá conta. Ou seja, esqueça um banho com pressão e temperatura adequadas se você só dispõe de um espécime com resistência.
No final do ano passado, achamos que estávamos velhos demais para continuar encarando o pinga-pinga quente ou a cascata fria. Decidimos colocar um sistema de aquecimento de água decente em casa. Quebra-quebras, poeira e contra-tempos depois, lá estava ele: um aquecedor à gás com controlador eletrônico. Uma belezinha.
O motivo deste post é compartilhar alguns detalhes do aparelho que acho bem inteligente. Trata-se de um aquecedor de passagem, ou seja, tipo Junker, mas da marca Harman. Ele tem um painel de controle de temperatura que instalamos no nosso banheiro. Através de comandos digitais, elegemos a temperatura ideal. O interessante é a grande economia de gás, visto que só é preciso abrir a torneira quente, já que temos o controle exato em graus celsius. Nos outros aquecedores, não há precisão; deixa-se a água sempre mais quente do que o ideal e é necessário misturar com a fria. Ou seja, gasta-se energia à toa.
Com esse friozão que anda fazendo, nosso display tem ficado nos 43ºC. Um grau faz uma baita diferença. Nos últimos dias, 45ºC. No outono, por exemplo, usamos uma temperatua de manhã e outra pra de noite.
Só tem um problema: nossos banhos, que antes eram rápidos e desconfortáveis, agora são mais longos e prazerosos. Acho que a economia foi pro saco.
Eu tenho dificuldade de entender letras diretas demais. Prefiro aquelas que não dizem tudo na cara, que deixam margem à imaginação. Aquelas em que, mesmo que eu não compreenda totalmente, tenha a liberdade de fechar os olhos e pintar o quadro que eu quiser. Esse sou eu, músico. Não entendi a exaltação da platéia quando Kleiton e Kledir tocaram, em primeira mão, a ode à Pelotas, no palco do Guarany, há quase dois anos atrás. As pessoas puseram-se de pé. Aplaudiram entusiasmadas. Ovacionaram. E eu perplexo. Não engoli o "pa-ra-le-le-pí-pe-do". Me desceu atravessado. Nem o "bem-casado" e o "cristalizado" foram mais palatáveis. Citar todos os locais da cidade com didática de um livro escolar não me convenceu.
Semana passada recebi de várias pessoas o link do You Tube para assistir o clipe da canção. Todos adorando e eu, novamente, engasgado, cético, aturdido pela inocência das pessoas. Confesso: até gostei do "dia de jogo" e do "merece". Mas não era possível que bastasse se fazer uma lista com todos os locais da cidade e organizá-los em versos, rimar Areal com Laranjal para que o sucesso fosse garantido.
Gravei o especial deles no Canal Brasil, que passou há uns 3 meses. Resolvi ver hoje. Apresentaram as músicas do novo trabalho. Depois de um grande período sem gravar, estavam de volta. Na minha memória, o último registro que valia a pena da dupla era o disco que trazia a versão para "Bridge Over Troubled Water" e a música "O Analista de Bagé", entre outras. Tudo que veio depois, parecia uma tentativa frustrada de ser o que não eram mais. Faltava o frescor, o descompromisso, a ingenuidade e a sinceridade. Mas lá pela terceira música do especial, algumas frases melódicas, algumas sequências de palavras, algum sorriso, sei lá... Algo fisgou aquele guri dentro de mim, que lá pelos 8 anos ouvia os LPs dos Ramil na casa de minha tia, e que acompanhava as letras dos encartes, verso a verso; que decorara as vírgulas e as respirações de cada faixa; que descobria a música de uma forma tão peculiar, com histórias de um lugar tão perto, mas tão perto, que parecia estar dentro de mim. E pior que estava. Em frente à casa da minha tia, na Rua Apolinário Porto Alegre, onde passei muitos Natais, onde furei os vinis de tanto ouvir, certa vez estavam Kleiton e Kledir. Esperavam o Papai Noel chegar na casa de algum parente que eu não sei bem quem era. Meus primos todos foram falar com eles, pedir autógrafo. Mas não eu. Fiquei espiando de trás da porta, com minha timidez eterna, minha reverência esquisita. Lembrei disso agora, não sei por quê. Na verdade, nunca esqueci, mas as novas canções do especial da TV me fizeram reviver. O tempero original estava ali. Era Kleiton e Kledir de volta, como antes. Muito material bom e cheio de inspiração. Quando tocou a homenagem à musa Pelotas novamente, mais explícita ainda, por conta das fotos ilustrando cada esquina, cada bairro, cada monumento citados, meu coração já estava aberto, destrancado, aceitando qualquer rima previsível, qualquer palavra óbvia, qualquer melodia repetitiva. Baixei a guarda e juntei-me àquela platéia de pelotenses ufanistas de dois anos atrás. Só não aplaudi, nem gritei porque minha mulher estava dormindo ao lado e as crianças no outro quarto.
Daqui a pouco, minhas filhas irão começar a ter as experiências musicais que levarão para sempre. Quais delas terão o poder de destrancar a fechadura de seus corações e torná-las alvos fáceis da emoção boba e inexplicável?
Sim, o imbecil aqui veio de novo no Big. Estou escrevendo este texto, na fila. Pelo menos pra isso serve este tempo de espera. Voltei porque tem coisas que eu não encontro em outros lugares. Aí, eu tenho que vir aqui, pelo menos, de dois em dois meses. Meu plano era fazer as compras no final da manhã, pelas 11h, mas fiquei preso na agência até o meio-dia e quinze. Não deu. Resolvi sair mais cedo, de tarde. Às 18h, me arranquei. Santa ingenuidade. É uma péssima hora. Uns 5 caixas abertos e umas 10 pessoas em cada fila.
Podem me xingar.
Uma família na minha frente veio com 5 pessoas. Que falta do que fazer. O caixa questionou àquela que parecia ser a mãe:
- Como vai pagar?
- Posso parcelar?
- Pode.
- Em quantas vezes?
- Quantas quiser, mas tem juros, senhora.
- De quanto?
Óbvio que a caixa não sabia. Estava prestes a sair em busca da informação. Quase me desesperei em pensar de depois de meia hora na fila ainda teria que esperar ela conseguir a resposta. Fui salvo pela cliente que disse:
- Espera aí. Quanto deu mesmo?
- 68,50.
- Ah, bom! Achei que fosse uns 200. Então, eu faço à vista mesmo.
Neste momento ficou claro pra mim o nível de falta de noção desse tipo de consumidor que frequenta o Big. Eu incluído.
O site Noite & Cia., do qual sou colunista, acabou de receber uma notificação extrajudicial, de uma grande rede de lojas de artigos femininos, por conta de um texto meu. O artigo, que originalmente publiquei aqui neste blog, é uma crônica bem-humorada sobre "um plano infalível de assaltar a loja tchã-nã-rã" inspirado pelo o tocar incessante do alarme do estabelecimento em um dia de funcionamento normal. Obviamente, como não quero sarna-pra-me-coçar, escrevi agora "tchã-nã-rã" em substitituição ao nome da loja. Também aproveitei e retirei as citações no referido texto deste blog. No comunicado, o advogado da loja alega que eu incentivei uma ação criminosa e "ousada" (adorei esta parte) e que infrigi a lei sei-lá-das-contas que poderia me render de 3 a 6 meses de cadeia ou multa. O cara foi bem mais criativo do que eu. Ele também sugere que a coluna seja retirada do ar imediatamente para evitar processo judical ao veículo. Como foi feito. Diogo Mainardi que me aguarde.

Márcia Casarin acompanhando o desenrolar de sua iniciativa.
Estive participando do processo de seleção do Musicalda Fenadoce, na condição de assistente, assessor, por aí. Trata-se de um festival competitivo de música autoral - uma promoção do CDL Pelotas para a 17ª Fenadoce. Com coordenação de Rui Madruga, jornalista e músico, e auxilio luxuoso de Felipe Pita, a ideia lançada pela empresária Márcia Casarin foi tomando forma há cerca de 3 meses apenas, mas não tarde demais para que 255 músicas fossem inscritas.
70% das obras foram de Pelotas, mas artistas de todo o País mandaram material, inclusive sendo selecionados para a etapa semifinal (com apresentação ao vivo) nomes de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina.
O motivo deste meu post é comentar a qualidade que a primeira edição do festival está demonstrando. A organização está impecável, os jurados são de primeira, o profissionalismo, ética e imparcialidade apresentados são de tirar o chapéu. Só para exemplificar o compromisso da equipe, o equipamento para a audição na triagem, que elegeu os 20 selecionados e os suplentes, foi sensação: caixas Yamanha N10 conectadas a um amplificador profissional, em flat, e uma placa de som Line 6 impressionou os jurados. Eles tinham experiências bem mais modestas em outros festivais mais importantes e tradicionais.
Apesar do já sucesso do evento, pessoalmente, me decepcionou um pouco a ausência de nomes expressivos do pop/rock, da cidade e do estado, que conheço. Se tivesse havido uma presença mais marcante desse segmento, como eu esperava, teria-se criado um problema em selecionar entre tantas bandas boas. Fiquei meio desapontado neste aspecto apenas. Creio que houve uma descrença na proposta multigênero do evento. Mesmo assim, conseguimos destacar um grupo excelente de canções e intérpretes com reais condições de se estabelecerem no mainstream nacional. Tem pagode, samba, hip hop, reggae, mpb, nativismo, instrumental, emo, etc. Todos os ingredientes para um festival bastante competitivo e interessante sob o ponto de vista da representatividade artística e social. Eles estarão concorrendo a uma premiação distribuída de 14 mil reias. São 5 mil para o primeiro colocado. Sem falar na ajuda de custo que somará outros 10 mil reais. São poucos os festivais que investem tanto nos músicos.
Minhas expectativas são as melhores. Estou muito entusiasmado e feliz de fazer parte disso. Viva a música! Pena que por uma questão ética não pude inscrever a minha banda, Água de Melissa. Devido à falta que falei acima que senti, creio que estaríamos selecionados, certamente, sem falsa modéstia.
As duas semifinais acontecem nos dias 8 e 9 e a finail dia 10 de junho, às 20h, na Praça de Alimentação da Fenadoce. Você pode votar em sua música preferida, ajudando a eleger a mais popular, através do site www.fenadoce.com.be/musicalda, até dia 9 de junho.

Antes da reforma ortográfica, a disussão era constante. Uns defendiam que o prefixo "tele", por não exigir hífen, gerava "telentrega". Outros, mais radicais (que vão na raiz do problema), eram enfáticos: "tele-entrega". A justificativa era que "tele", significa distância (telecomunicação, comunicação a distância; televisão, visão a distância; telefone, som a distância) e "tele-entrega" não é entrega a distância, mas telefone-entrega, ou seja, entrega realizada por solictação telefônica. Portanto, "tele" não tem valor de prefixo; é a forma reduzida da palavra "telefone". Mesmo que essa simplificação não seja formalmente permitida na língua portuguesa, para ficar menos errado, seria exigido o uso do hífen.
Eu, por outro lado, sempre preferi pensar que, se foi construído um verbete popular de forma imprópria, problema dele; sua escrita não deveria continuar colaborando com o equívoco. Que fique errado o significado, mas que escrevamos conforme a regra ortográfica. Sendo assim, sempre escrevi "telentrega". Até porque, a segunda vertente é bem menos assimilada e conhecida do que a primeira e as chances dela ser uma baita de uma viagem é maior ainda.
Porém, depois da reforma que uniu as ortografias dos países de língua lusitana, a discussão foi pro saco. Diz a nova regra que quando a vogal final do prefixo é igual a inicial do radical, usa-se o maldito tracinho. É o caso de "micro-ondas", coitado. Difícil de se acostumar.
Se você ainda tem a pulga atrás da orelha, acha feio ou tem medo que digam que está errado, use "delivery", "telepedidos", "telecompras" ou "ligue pra gente".
Minha filha tem intolerância à lactose. Descobrimos há uns 2 meses. Estamos no período de desintoxicação para, depois, verificar qual o limite exato dela para laticíneos. É a "doença da moda". Uma infinidade de gente com problemas digestivos crônicos, nunca antes diagnosticados, estão sendo enquadradas como deficientes na produção de lactase (enzima de nosso corpo que processa a lactose - é como a insulina para o açúcar).
Além dos alimentos óbvios que estão na lista negra, como iogurte, queijo, manteiga e o próprio leite, outros que nem imaginamos precisam ser verificados. A visita ao supermercado agora leva 3 vezes mais tempo, pois tenho que ler a listagem de ingredientes de todas as embalagens. Todas as maioneses industriais que encontrei têm ácido lático. A maioria das margarinas também. Pães de sanduíche tem soro de leite. Os mais variados tipos de biscoitos também. Até biscoito de água e sal tem. A marca Zezé (www.zeze.com.br) é uma das poucas, senão a única, em matéria de biscoito, própria para quem sofre desse mal.
O mais ridículo é quando encontramos a inscrição "pode conter traços de lactose". A afirmação indica que o alimento foi processado por uma indústria que manipula leite no mesmo espaço ou no mesmo "tacho" em que o produto em questão. Além da informação imprecisa, pra mim, é o mesmo que dizer "não temos condições higiênicas de limparmos com eficiência nossos equipamentos ou de lavarmos nossas mãos e só não colocamos a inscrição 'pode conter traços de asas de moscas, antenas de baratas e cocô de morcego' porque a Anvisa não exige".
E aí? Você prefere ingerir traços de urina de rato ou de lactose?
Tá bom. Fiz um pra mim. Não prometo que dure muito. Quem quiser seguir: cucakletz.

Imagem meramente ilustrativa
Mesmo quem não gosta de ler manuais de aparelhos eletrônicos sabe que não se coloca ovos no micro-ondas. As moléculas de água expandem e fazem o alimento hermético explodir. Eu também sei e, por isso, nunca experimentei, a não ser com ovos mexidos. Mas outro dia me deu aquela coceirinha. Eu sou o tipo de pessoa que não aguenta ver uma espinha sem cutucar, uma picada de mosquito sem fazer fendas em cruz e em "X" com a unha, uma casquinha de ferida sem arrancar, uma cutícula esfarrapada sem morder. Sim, sou do tipo ansioso.
Cozinhei três ovos, de forma convencional, no fogão. Apressado, retirei da água antes de ficarem completamente duros. Eu precisava com a gema bem cozida. Como já tinha descascado, tive uma brilhante ideia: "Trinta segundinhos de micro-ondas não serão suficientes para causar qualquer dano". Ousei. "Pi, pi, pi, pi." Deu certo! Não explodiram! Mas ainda não estavam no ponto que eu queria. "Só mais trinta não dá nada." Quando faltavam apenas 5 segundos - "puuuff" - um foi pelos ares, ou melhor, por dentro do forno. Imbecil, retirei com cuidado. Quando larguei sobre a mesa, o segundo se destruiu sujando toda a cozinha. Ainda bem que não estava mole, o estrago seria maior. Sobrou um. Como uma espinha, uma picada de mosquito, uma casquinha de ferida, uma cutícula rebelde, aquele ovo latejante me chamava. Peguei uma faca e espetei. "Puuuuuuuuuuuufffffffff". Saldo: ovo espalhado e um dedo queimado.
No começo, o Supermercado Big de Pelotas era um oasis. Corredores amplos, boa variedade de produtos, muitos caixas, estacionamento coberto, pracinha de alimentação. Era o shopping center do pelotense. As famílias iam pra passear; pra mostrar pros parentes que vinham do "interior". Nada mais ridículo e provinciano. Por um tempo eu fui cliente semanal, pois gostava da amplitude e variedade. Preferia ir aos domingos de manhã. Logo que abria lá estava, para pegar pouco movimento e esperar menos nas filas. Foi então que a rede mudou de dono. Passou do controle português do Sonae para as mãos dos americanos do Wal-Mart - a maior empresa do mundo.
O negócio do Wal Mart é preço. E todo mundo sabe que preço e qualidade são duas faces da moeda (tomemos isso como regra, para não entrarmos em um nível de discussão sensacionalista sobre as prováveis estratégias administrativas que não temos conhecimento real). E as mudanças começaram a acontecer: marcas habitais começaram a sumir das prateleiras; negligência com remarcação de produtos causava divergência entre código-de-barras e etiqueta; prateleiras não repostas; poucos caixas abertos. Mesmo nas manhãs dominicais, bem cedo, os check-outs já não davam mais conta do recado. As filas se formavam rapidamente. Além dos caixas rápidos, abria apenas um na primeira meia hora e iam acionando outros de tanto em tanto tempo. Um pensamento lógico até, mas em uma velocidade que subestimava o tamanho da demanda acumulada. Mesmo nos primeiros dias do mês quando, todo mundo sabe, o consumo aumenta significativamente em virtude do pagamento dos salárioso, o processo era o mesmo. O tempo útil do meu dia de descanso foi sendo, semana a semana, reduzido, até que, certa vez, depois de fazer um de meus ranchos dos grandes, me deparei com apenas duas filas, dos cerca de 20 caixas montados, e com mais de 10 pessoas em cada. Eram 10 horas da manhã de domingo, tinha chegado pouco depois das 9. Perderia, no mínimo, mais meia hora quarando ali. Uma hora e meia de supermercado é só pra quem gosta. Abandonei o carrinho e me dirigi bufando à saída. "Por que a gente tá indo embora, pai?" "Por que este supermercado não respeita a gente, filha." No caminho, cruzei por algum tipo de gerente e questionei se não abririam outros check-outs. Extávamos no começo de mês. Tinha muito movimento. A resposta foi que novos funcionários assumiriam em meia hora. Excomunguei todos enquanto outra consumidora indignada dizia: "isso mesmo, a gente tem que reclamar". Retruquei: "não temos que reclamar nada, temos que ir embora comprar em outro lugar. Simples assim." Nunca mais voltei. O horário que eu frequentava nem é o mais caótico. As filas são muito maiores aos finais de tarde, por exemplo.
Sinceramente, não entendo esse povinho pelotense. Gosta de ser maltratado. Gosta de serviço de segunda. O fanatismo pelo Big é só mais uma prova disso. Sou a favor de empresas de fora quando vêm para mostrar excelência em produtos ou serviços, pois fazem a concorrência local evoluir. Agora, quando vêm para trabalhar mal e ainda são adoradas, abomino, bem como seus consumidores. E a culpa é de quem? Não mais minha, graças a Deus.
Esta semana surgiu um comentário na cidade que o Big estaria com as fundações comprometidas devido ao mau dimensionamento da estrutura. Dizem que irão se mudar provisoriamente para o lugar onde é o Maxxi, o macroatacado recém inaugurado do Wal-Mart que parece também ir mal das pernas, não estruturalmente, mas comercialmente. Mesmo com os "boatos" de possível desabamento que correm pela cidade, passei hoje em frente ao Big e estava, pasmém, cheio. Ô povinho desgraçado.
Fui incumbido a fazer um Camarão a Thermidor para a família de minha esposa. O prato não combina muito com o calor que faz em Palmas, mas nada que uma piscina não resolva imediatamente e que uma caminhada de 1 hora não resolva a longo prazo. A receita que eu faço, não sei se é a original (aliás, tenho certeza que não é), pois é uma mistura do melhor que achei em várias fontes. Fez tanto sucesso com o pessoal que pediram para eu deixar a receita. Escrevi uma versão cheia de gracinhas e deixei no desktop do meu sogro. Para não correr o risco de algum desavisado deletar e para deixar o registro para a história, publico aqui.
CAMARÃO A THERMIDOR (do Cuca)
Ingredientes para o molho:
- 1 cebola média
- 3 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 50g de manteiga
- 200g de queijo gruyère
- 1 copo de nata fresca
- 2 copos de leite
- 1 copo pequeno de champignon
- 4 gemas de ovo
- noz-moscada
- sal
- pimenta-do-reino
Ingredientes para o camarão:
- 1kg de camarão (quanto maior, melhor)
- conhaque para flambar
- alho
- sal
- 3 limões
- pimenta-do-reino
- 50g de manteiga
Modo de fazer (molho):
Frite a cebola na manteiga. Coloque as colheres de farinha e misture. Vá adicionando o leite vagarozamente para não empelotar, mexendo sempre e raspando a colher no fundo para não grudar. Parta o queijo em pedaços pequenos e misture até derreter. Adicione as gemas ao poucos, mexendo vigorosamente para dissolver bem. Coloque a nata fresca, tempere com noz-moscada, pimenta-do-reino e sal. O ponto certo é até a farinha estar cozida. Adicione o champignon só no final.
Obs.: jamais engrosse com maizena - não trata-se de um mingau. Se necessário, para afinar o ponto, use mais leite para dissolver ou mais farinha para engrossar.
Modo de fazer (camarão):
Tempere o camarão com limão, alho, sal e a pimenta-do-reino. Deixe marinando por cerca de uma hora (ou, se não der, apenas pelo tempo de fazer o molho acima) e escorra bem. Consiga no vizinho uma frigideira muito grande, de laterais não-verticais. Com ela muito - mas muito - quente (de preferência no fogareiro do vô), frite os camarões de pouco em pouco com o auxílio de pouca manteiga de cada vez. 20 a 30 segundo de cada lado é o suficiente. Adicione cerca de duas colheres (sopa) de conhaque e flambe (deite a frigideira para que as chamas do fogareiro inflamem o conhaque). Retire do fogo e reserve. Repita o processo até finalizar com o camarão. Obs.: o camarão deve fritar e não cozinhar, portanto a temperatura elevada da frigideira é essencial; para fritar 1kg do crustáceo será necessário, no mínimo, dividir em 5 fritadas - assim não criará muita água, o que atrapalharia também o flambar.
Montagem:
Em uma forma refratária, misture o camarão e o molho branco. Se desejar cubra com queijo parmesão ralado. Leve ao forno pré-aquecido até dourar a superfície, ou se o povo estiver com muita fome e sono, até começar a borbulhar.
Sirva arroz para acompanhar.
Dá pra 4 pessoas.
Não se tratam, especificamente, de restaurantes. São como bares, só que um pouco mais incrementados em termos gastronômicos.
No Açaí.Com, o primeiro contato do garçom foi para se desculpar pela demora, justificando com a falta ao trabalho de dois colegas. E o queco? Odeio esse tipo de argumento, quando o cara tá mais preocupado em livrar a cara do que tentar resolver o problema; como se eu fosse culpá-lo pessoalmente por isso. Ele quer que eu tenha raiva do vagabundo que ficou em casa e livre a barra dele? Tô nem aí. Fico indignado é com o chefe que não consegue ter uma equipe que preste, nem para comparecer ao trabalho nem treinada o suficiente para se comunicar com o cliente.
Apesar do nome do lugar, servem também crepes e panquecas. "Qual a diferença da massa do crepe e da panqueca?", perguntei. "Ã... Assim... É... No caso... É a mesma massa, só que diferente." Entendeu? Nem eu. "É que uma é crepe e a outra é panqueca." Lhufas. Continuei na mesma. Acho que ele quis dizer que era a mesma massa, porém apresentada de forma diferente no prato. Pela foto do cardápio o crepe era aquadradado e a panqueca enrolada da forma tradicional.
Pedi um crepe Açaí.Com. Aprendi que, na dúvida, devemos pedir sempre o que a casa indica. Tratava-se de frango com catupiry e palmito. Muito bom por sinal, exceto pelo exagero de recheio. O troço é grande demais, com muito, mas muito queijo. Não consegui comer todo. Havia acabado de dividir com minha mulher uma tigela de açaí com outras frutas e granola. Gelado! Esse sim, extremamente gostoso. A primeira vez que provei açaí foi na forma de suco em Porto Alegre. Achei uma merda. Tinha gosto de terra. Depois comi outro excelente em Bombinhas, SC. Mas o do Açaí.Com, de Palmas, superou. Ameacei minha esposa de tomar um Tribomba, mas ela me lembrou que estamos dormindo com nossas duas filhas no mesmo quarto (veja foto).

Bebidinha energética servida no Açaí.Com
O Espetinho Pôr-do-Sol serve, claro, espetinhos, além de caldos, como especialidades. Tomei um caldo de carne de sol com mandioca. Bom mas nada demais. Acompanhavam 3 fatias de pão - que combinariam melhor se semitorradas -, queijo "mussarela" em tiras - bem melhor se fosse um parmesão ralado - e um potinho de coentro, que achando ser salsa virei inteiro dentro do caldo. Na primeira colherada percebi a cagada e retirei tudo que consegui. Não tenho nada contra coentro, exceto em excesso (pô, que bonita essa sequência de XC: "exceto em excesso"). Já não é a primeira vez que percebo o uso além do normal de coentro por aqui. Achei que fosse apenas gosto local. Mas descobri que há uma dificuldade em achar salsa para vender em Palmas. De acordo com a origem dos donos do estabelecimento - paranaenses - deduzi que o coentro não estava ali por ser um hábito palmense, mas em substituição à salsa.
Um dos espetinhos era de kafta. Perguntei se era feito de carne de ovelha, como estou acostumado a comer a iguaria libanesa. O garçom disse que não e pedi para explicar do que se tratava. "É que é carne de boi bem condimentada, com temperos fortes, tipo da Índia." Atrás dele, a TV ligada na novela das 8 exibia o Taj Mahal. Fico com o kafta do Kibe Sphirra de Pelotas. Bem melhor.
Estou de férias. Estou em Palmas, Tocantins. Pra quem não sabe, é uma cidade planejada, com menos de 20 anos de fundação, e que está em franco crescimento. É capital do estado e atrai imigrantes de todo o Brasil. Mais de 50% é maranhense. Chamam de "gaúcho" qualquer um que venha de São Paulo pra baixo.
Dom Vergílio é uma pizzaria grande, cujo dono é gaúcho. Ele fez questão de trazer toda mão-de-obra do Sul. Aliás, material humano de qualidade é o que há de mais escasso por aqui. Quem faz meia-boca é dono do pedaço. Quem faz direitinho, enriquece. Já é minha terceira vez na Dom Vergílio. Voltei porque gostei. O local é feito para faturar alto, com giro rápido de clientes. Creio que atenda, simultaneamente, a umas 150 pessoas. A organização do atendimento é exemplar, dividida em recepcionistas, tiradores de pedidos, garçons que trazem as pizzas e outros as bebidas. Nossa solicitação é anotada em um PDA e, antes mesmo de finalizada, as bebidas já estão chegando. Informatização que reduz falhas, agiliza o processo e faz as eventuais filas na porta andarem rápido. Há de se faturar.
As pizzas são muito boas, tirando algumas atrocidades do vasto cardápio, como a de strogonoff, coberta de batata palha. Tem quem peça. Os ingredientes são de ótima qualidade. O sabor 6 Queijos traz realmente 6 tipos dos bons, nem precisava tanto; poderiam, ser só 4. A massa é deliciosa e fina, mas dá pra reduzir. Raro, os tomates secos são fartos. Os tamanhos oferecidos são "médio", "grande" e "big". Não me pergunte qual a diferença entre o "grande" e o "big". Talvez o "big" venha com catchup. Não deveria ser "bigger", ou simplesmente "maior", "súper", "família"?. Acho que é para não oferecerem um tamanho "pequeno". O dono deve ter lido algum livrinho do Sebrae.
Chamei o o tirador de pedidos (o cara com o PDA) e perguntei que sucos tinham. "Todos, menos de maracujá." "Uau! Como assim 'todos'?" Secamente, "todos". Perguntei, "inclusive de uva?".
Lembrei-me de um episódio engraçado. Certa vez, em Recife, em um daqueles resorts 5 estrelas - não sei como fui parar lá e não tenho a mínima previsão de regressar - perguntei sobre sucos. A resposta foi a mesma, "todos". Pedi um de uva. O garçom todo atencioso e desapontado, começou a balançar a cabeça lenta e negativamente. Desistiu no meio e decidiu resolver meu problema: "podemos providenciar para o senhor". "Natural?", perguntei. "Sem dúvida". Me senti um rei, até chegar o copo. Colocaram os cachos no liquidificador e serviram uma gosma verde, com fragmento de sementes e galhos. Eu deveria imaginar que um suco de uva improvisado não seria feito do modo lento e tradicional, fervendo a fruta, filtrando com um pano, etc. Palmas não é no Nordeste, mas visualizei que com tantas frutas diferentes, uva deveria ser pouco popular também por aqui, na região Norte. Engano.
"Uva?", já anotando meu desejo. "Não, obrigado. Era só para testar. Traz um de limão mesmo. Sem açúcar." "Limonada tradicional ou suiça?". Mas, ah! O cara tava falando sério mesmo quando disse "todos". Depois de servido, resolvi tirar a prova derradeira: "amigo, tem de carambola?" "Só um minuto que vou verificar, senhor." Não voltou mais. Achei um cardápio para confeerir. Não tinha. Ah, também não são tantos assim. São só 23 naturais.

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