Lig, lig, lig para o Burger
Comi 3 vezes do/no Lig Burger, – pra quem não sabe – o novo estabelecimento de lanches da cidade. Já provei um bauru de picanha, um hamburger duplo e um hamburger de provolone. Os dois primeiros, comprei para comer em casa. É ruim comer frio. Não faço mais. Mas deu pra perceber que o lance deles é, realmente, o hamburger, como o nome diz. Na minha opinião, nem deveriam ter bauru. Não que seja ruim, mas o Circulus é melhor e mais “limpo”. ** Chamo de “limpo” o lanche que é sequinho, com pouca gordura; quando os ingredientes podem ser percebidos individualmente e não aquele molho gordo e homogêneo com um gosto só, encontrado em outros “trailers”. ** Já o hamburger deles é muito bom, feito com carne boa, apesar de eu achar que deveria ser mais temperado. Geralmente os restaurantes não gostam de temperar bem os pratos para não desagradar clientes mais sensíveis. Eu sou totalmente contra essa falta de personalidade – quando, realmente, é falta de personalidade. O ambiente é muito bonito e agradável, apesar de não ter muito a ver com “lanche”. Talvez a proposta tenha sido esta mesmo – fazer algo mais sofisticado para mostrar que lanche não precisa ser feio e coisa-de-guri-sem-dinheiro. Os pedidos vêm em pratos quadrados, com apresentação excelente. Como todo restaurante que abre, ainda pecam em alguns quesitos de atendimento, como confusão em anotar o pedido, em entregar os pedidos... Mas isso aprimoram com o tempo. Quando fui lá pela segunda vez, para levar para casa, deixaram o meu pedido esfriando por 5 minutos em cima do balcão e só me entregaram porque eu desconfiei e perguntei. Depois, a garçonete não sabia se eu tinha pago ou não, mesmo eu mostrando o cupom. Quando cheguei em casa, não tinham colocado a batata frita que eu pedi e paguei. Só resolvi escrever este post depois que fui, pela terceira vez, para comer lá.
Fiquei impressionado com o investimento e com a quantidade de gente que trabalha ali. São 4 somente preparando os lanches; o dono e a dona (parecem) que ficam no caixa e gerenciando; 3 garçonetes e, na cozinha, devia ter mais um ou 2. Ou seja, 11 pessoas para servir, sei lá, uns 30 lugares. Espero que tenham calculado corretamente os custos e que durem por muito tempo.
De modo geral, é uma ótima iniciativa, de grande qualidade que ainda precisa ser melhorada como todo novo negócio. Ao meu gosto, já saiu na frente do McDonald’s disparado. Acho até que a comparação é, no mínimo, grosseira.

O Código

O que esperar de um tema pop, em um livro pop, com repercussão extremamente pop, em uma adaptação hollywoodiana para o cinema? Pop, é claro. Eu sabia que veria o filme "O Código da Vinci" comparando o tempo inteiro com o livro. Todas as pessoas que leram - e não são poucas (cerca de 49 milhões) - devem estar agindo da mesma forma. Levando isso em consideração, levei os 30 minutos iniciais do filme tentando esquecer que tinha lido sobre aquilo. Eu pretendia perceber o filme como um filme. Não sei se por este fato, a primeira metade me pareceu muito ruim. Entendi, então, por que o filme foi motivo de vaias e gargalhadas em sua estréia em Cannes. Todos os enigmas desvendados dentro do Louvre, no, digamos, primeiro ato, que, originalmente, levam mais de 10 capítulos para acontecer, não consomem mais do que 5 minutos de tela. No livro, já é uma baita apelação a história dos anagramas, imagine no filme. A minha próxima surpresa, foi o intervalo que o Capitólio fez depois de uma hora e 20 de projeção. Nunca eu tinha visto isso. Só quando fui ver uma sessão dupla de O Retorno de Jedi e O Império Contra-ataca, há mais de 15 anos. Claro que a pausa foi entre os dois filmes e não no meio de cada um. Quando a história dirigida por Ron Howard volta, tudo parece melhor. Cada fato acontece no seu tempo, apesar de uma certa correria ser inevitável para tentas teorias conspiratórias. A maioria delas precisou ser deixada de lado na adaptação. Aliás, adaptação bem fiel até, já que o próprio romance é bastante cinematográfico em si.
No final das contas, o filme ficou acima da média que eu esperava. Achei o fim do livro mais emocionante do que a forma escolhida para contá-lo na película.
Toda a grana disponibilizada em assessoria de imprensa e publicidade propriamente dita para aumentar a polêmica sobre o livro e o filme é claro que funcionou até para quem poderia estar à margem dos fatos. As ameaças da Igreja Católica em boicotar o projeto e as opiniões dos religiosos alimentaram ainda mais tudo isso. O que eu acredito é que o filme, mesmo cheio de teorias inventadas e, mesmo com grandes possibilidades de outras serem reais, acaba por ser de grande utilidade para a Igreja. Muita gente alheia à religião está sendo convidada a discutir sobre o assunto. Coisa que nenhuma escola católica ou mesmo outras ações da Igreja vêm conseguindo fazer com sucesso. A mensagem que o filme deixa, bem mais explicitamente do que o livro é que, às vezes, a fé é a única coisa que resta para as pessoas se agarrarem.

Mais do mesmo

Eu falo isso sempre: algumas bandas não deveriam ser bandas, deveriam ser discos. Me refiro especificamente àquelas com estilo muito próprio, mas tão próprio, que suas músicas acabam sendo uma cópia delas mesmas e 90% se parecem iguais. É o caso das - apesar disso - excelentes Dave Matthews Band, Jamiroquai e, me dói muito dizer, Red Hot Chili Peppers. Sim, comprei o último disco deles, mesmo não tendo gostado muito dos dois anteriores. Fiz isso por um único motivo: li uma matéria em que Flea pedia encarecidamente que os fãs não baixassem seu disco "vazado" pela Internet, antes de mesmo de finalizado, pois eles não estariam ouvindo com a qualidade que a banda gostaria que tivesse o maior trabalho de suas vidas, que eles fizeram com todo amor do mundo, dedicando os últimos sel-lá-quantos meses de suas vidas; que eles ficariam muito tristes e magoados. Eu achei uma mensagem muito bonita, apesar de saber que poderia ser apenas mais um "golpe de marketing" sem coração. Stadium Arcadium é um disco duplo, com 28 músicas que mantêm a média que falei, onde mais de 90% é mera cópia da mesma coisa de sempre.
Acredito que as bandas acabam caindo na mesmice quando o arranjo se torna mais importante do que a canção. Isso acontece muito, e principalmente, com bandas cujo o processo de composição segue a seguinte ordem:

1º - arranjo e harmonia - um dos integrantes faz uma frase melódica instrumental, uma levada ou uma harmonia e os outros seguem atrás;
2º - melodia vocal - geralmente o vocalista começa a cantarolar alguma coisa, geralmente influenciado diretamente pela frase melódica principal do arranjo. Isso pode acabar criando uma estrutura pobre, onde a criatividade acaba ficando de fora do processo;
3º - letra - alguém coloca uma letra no troço.

Sei que muitas bandas compõem assim e obtêm resultados muitos bons, até ótimos, irrepreensíveis. Mas, na minha opinião, é preciso ter um talento bem maior para compor dessa forma. Eu acho também, sinceramente, que a música deve ser construída partindo-se de uma idéia artística inicial. Acho que ela tem mais valor assim. Antes de ser um produto de uma banda, a música tem que existir como canção, como mensagem a ser transmitida. É claro que isso só vale para o tipo de música que tem esta intenção. Se a intenção for dançar, andar de elevador, embalar uma rave cheia de gente drogada, se chutar ou ambientar um chá de senhoras de 65 anos, cada tipo de música terá uma forma diferente de ser composta.

Red Hot Chili Peppers deveria ser um disco. Tudo bem, um disco duplo, mas bem diferente deste último.

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