Cacao

Meus pais trouxeram de viagem, pra mim, uma encomenda. Eu queria um bom chocolate em pó, com alto índice de cacau. Ele me trouxe um do Fauchon. Não poderia ser mais chique. O anta aqui, acostumado a entupir o copo de leite com Toddy, foi provar a novidade. Ta lá. Tasquei 3 colheres de sobremesa de cacau em uma xícara de leite. Não é preciso dizer que nem dissolveu. Ficou boiando e não adiantava nem bater. A embalagem diz que eu devo colocar de 2 a 3 vezes a quantidade de cacau em açúcar. Imagina. Seriam de 6 a 9 colheres de sobremesa de puro doce. Bom, dividi em duas xícaras e coloquei mais leite - contando que minha mulher me auxiliasse na degustação - mas coloquei açúcar na proporção de, apenas, 1x1. Ficou então 1 colher e meia de cacau para cada porção. Mais razoável. Só que a minha mulher não tomou. Já era dez da noite e ela estava dormindo. Tomei uma xícara (gostosíssima – puro deleite) e, como sou virginiano e não posso ver desperdício, tomei a outra. Não deu 10 minutos e minha barriga entrou em processo de convulsão. Muito barulho. Muita cólica. Fui correndo pro banheiro. Nunca vi um resultado tão rápido. Prometi a mim mesmo que na próxima vez, uma colher apenas basta. Mas o troço é realmente bom. Parece uma barra de chocolate dos MUITO bons derretida. Muito melhor!

Ninguém sabe nada sobre ambientalismo

É melhor usar plástico ou madeira?
Plástico leva milhares de anos para se decompor. Mas, por outro lado, pode ser reutilizado ou reciclado antes de ser descartado. Madeira pode vir de de desmatamentos, mas também de uma área de reflorestamento cultivada para este fim. O que também é ruim, pois gera os tais "desertos verdes", que prejudicam a fauna e a flora nativas e descaracteriza a região. Tudo em detrimento de árvores que crescem e dão lucro mais rápido.
É melhor usar papel novo ou reciclado?
Para ser produzido, o novo usa o mesmo método antiambiental citado acima. Já o processo químico de reciclagem pode ser mais danoso ao meio do que se imagina.
É melhor utilizar sacolas plásticas ou as endeusadas ecobags?
Você já sabe as vantagens e desvantagens dos polímeros, mas, se optar pelo tecido, onde você vai colocar o seu lixo doméstico? Em sacos de papel? Ao invés de reaproveitar as do supermercado, vai acabar tendo que comprar sacolas só para jogar fora?
E o vidro? É melhor escolher produtos que utilizam embalagens retornáveis como o vidro ou altamente recicláveis como o alumínio?
O vidro parece ser mais inteligente, mas é preciso lavá-lo para reutilizar, desperdiçando água, e seu peso e volume aumentam consideravelmente o custo ambiental do transporte, principalmente no Brasil, que é baseado no rodoviário. Já as "latas" de alumínio viraram um dos ítens mais cobiçados pelos catadores. Mais de 95% delas são recicladas hoje em dia no Brasil. Um número inacreditavelmente expressivo. Porém, a indústria e a ciência não são muito claras e parecem estar escondendo o jogo sobre a toxidade deste metal em contado com os alimentos.
Você separa seu lixo em casa? Seco de um lado, orgânico do outro?
Legal. Costuma dizer "eu reciclo"? Não, você não recicla. Você separa. Mas há coleta seletiva na sua rua? Ou você mesmo se encarrega de dar o destino correto aos resíduos? De qualquer forma é um bom exercício ir se acostumando.
Para as perguntas que fiz acima, as respostas corretas não são nenhuma das opções, mas uma terceira que fingimos não querer ver. Fazer a coisa certa exige que nos desprendamos de um processo de aculturação que levou séculos para ser construído. Significa reaprendermos as coisas mais básicas e abrirmos mão de outras já tão incorporadas em nossas vidas que mal nos damos conta. Uma reeducação de hábitos de consumo, como, por exemplo, andarmos de bicileta, boicotarmos produtos de indústras responsáveis por excessos, construirmos nossas casas com inteligência térmica. É uma mudança radical de comportamento que, em nosso íntimo, não queremos realizar.
No loteamento onde eu moro tem um imbecil (aliás, tem vários imbecis) que juntam as folhas de seus jardins e ateiam fogo. Além da poluição gerada, o cheiro que espalham pela vizinhança é outra prova de desrespeito e descaso com os demais. Mas eles gostam do jardim parecendo um carpete. Que joguem as folhas no meu jardim, então. Eu e minha grama agradecemos pela matéria orgânica extra e ela vai ficar muito mais bonita do que a deles. Bando de jacus. Cuidam do jardim como organizam os objetos de decoração de suas salas. Não entendem que trata-se de algo com vida, e que é aí que está sua beleza. Nem me fale daqueles que acimentam o pátio para não ter "trabalho".
Primeiro é necessário que exista consciência para depois tentarmos ter consciência ecológica. Tipo, passo 1 e passo 2. Quem sou eu? Como me relaciono em sociedade? Onde o meu conforto vira um capricho que vai de encontro a um mundo sustentável?
Ninguém entende de ambientalismo. Inclusive eu. Mas já está começando a ficar tarde demais para a recém termos dúvidas e pensarmos a respeito.
O Fim do Comércio Como Nós Conhecemos

Para uns pode soar pseudo-profecia ou arrogância. Para outros, é chover no molhado. O fato é que não é nenhum dos dois casos, pois muitos já discorreram sobre o tema. Porém, acontecerá de forma mais contundente e rápida do que se imaginava. O comércio tradicional - aquele das lojas populares dos centros das cidades - vai acabar. E não dou 10 anos. Minhas constatações começaram a vir à tona na véspera deste Dia da Criança, na procura por uma bicicletinha aro 16, de menina.
Saí de casa às 9h, para pegar menos tumulto. Na primeira loja que visitei, a atendente consultou o terminal para me fornecer o preço. Concordei e disse que ia levar. Para minha surpresa, o preço à vista não valia para cartão de crédito, apenas débito, cheque ou dinheiro. Tudo bem, até entendo. Aceitei. Na hora de emitir o pedido, o sistema não aceitou a transação. A mulher precisou consultar outro banco de dados, que indicava que o valor era 15% maior. Reclamei, ponderei, mas nada. "Não quero mais." Virei as costas e fui embora.
Sou um consumidor assíduo de lojas virtuais há alguns anos. Desaprendi como é o corpo-a-corpo nas lojas físicas. Minhas experiências recentes com humanos vendedores têm se dado apenas em um nível acima - em shopping centers durante viagens, apenas. Ou seja, algo menos decadente e penoso que o frenesi paraguaiesco do comércio tradicional local.
Na próxima loja, o vendedor atendia a mim e a outra pessoa ao mesmo tempo. Depois de dar a vez várias vezes ao meu "oponente", consegui saber o preço e formalizar minha intenção de compra. Para surpresa, a grande loja de departamentos não "estava aceitando" cartões de crédito. "Tchau pra ti".
O Brasil já tem mais de 40 milhões de usuários de Internet. Tem a maioria absoluta dos cadatros no Orkut. Tem 30 milhões de contas de MSN, o maior número do mundo. As classes C e D aumentaram drasticamente sua participação nas compras on line no último ano, muito acima do crescimento nacional da rede no País. Existem 150 lan houses na favela da Rocinha, no Rio. No site de consulta de preços Buscapé, além da forma normal como mostra os resultados de uma busca, permite que o usuário classefique-os de outros modos. É claro que a ordenação mais solicitada é a por preço, mas a segunda, e muito próxima da líder, é a por valor da parcela. Precisa explicar que isso é a democratização da rede e do comércio eletrônico? Há uma geração inteira que nasceu com a Internet já estabelecida. É outra realidade de mundo. Eles não concebem mais que possa existir um computador sem Internet. "Ã? Como assim? Pra que serve um computador sem Internet? Não conheço ninguém que não tenha MSN!"
Como se não bastasse, estava chovendo e ventando, como a maioria dos dias por aqui. Andei mais umas três quadras e cheguei à terceira grande loja. As bicicletas estavam expostas na calçada. Acho que deve ser para concorrer com os camelôs que disputam também o espaço. A atendente, apesar de ser bastante simpática, só conseguia me informar os preços dos modelos que continham cartaz com o valor, dos outros não. Desses, eu não precisava. Sei ler. De repente, outro consumidor interrompe meu papo com ela para perguntar sobre um dos modelos. Aí, eu juntei todo stress acumulado até então e mandei ver:
- Ela está atendendo; a mim!
- Mas eu só quero saber o preço.
- Eu também. Pode esperar a sua vez, por favor?
- Mas estou com pressa.
- Eu também.
- Mas é só o preço que eu quero.
- Eu também e ela não sabe!
- Vou procurar outro vendedor.
- Faz muito bem.
- Palhação! - Ainda proferiu baixinho, de saída.
Quem é que em santa consciência vai encarar o trânsito caótico de uma grande cidade, pagar estacionamento (ou deixar o carro sob os cuidados de um flanelinha qualquer), caminhar na chuva, de loja em loja, pesquisando preços, sendo mal atendido, brigando por sua vez, para ter meia dúzia de opções de compra? Eu fiz isso, mas foi a última vez. Todos os vendedores que eu tive contato esta manhã eram totalmente despreparados para realizar uma venda. Não conheciam nada sobre o produto. Em todas as lojas, o acotovelamento, a disputa por um atendente, a bagunça e o desreipeito estavam expostos com requintes de barbárie; Mad Max.
É claro que o "palhação" sou eu mesmo. Fico até envergonhado por ter sido tão grosseiro na frente da moça, mas paciência tem limite. Ela descobre os preços não marcados e todos estão cerca de 50% acima dos que eu tinha visto em outras lojas. Pergunto se não tem modelos mais baratos. Ela não sabe. É claro. Me chama para um terminal, pega um folheto de ofertas da própria loja e descubro, olhando por cima do ombro dela, que há uma oferta mais interessante anunciada no encarte.
- E esta aqui?
- Ah, esta aqui não. Eles estão montando.
- Beleza. Melhor ainda. Posso levar montada?
Loja física vai ser para poucos. Serão chiques, com os melhores vendedores; aqueles que têm total conhecimento sobre os produtos - mestres prepotentes e cheios de si que adorarão mostrar que conhecem mais do que seus consumidores. Quem preferir este comércio VIP, irá pagar bem mais por isso. Será uma evolução do shopping center. O comerciozão vai ficar marginalizado, adotar o modelo camelô de ser e, se não morrer, no mínimo vai agonizar. Quem quiser sobreviver com qualidade vai ter que vender on line, para o país todo; para o mundo.
Ela sobe. Consulta alguém e volta.
- Pode sim.
- Perfeito, então. Vou levar.
- Só tem que esperar a montagem.
- Ok. Quanto tempo?
- Cerca de uma hora.
- Uma hora? Posso pegar de tarde?
- Tudo bem. Vou deixar reservada pro senhor.
Ela pega meus dados. Confirma que eu já tinha cadastro na loja (ufa!) e faz a reserva. Quero só ver quando eu voltar à tarde.
Torrada de Pão Congelado
Eu não vou à padaria todo dia. Compro cacetinho (pão francês, para os estrangeiros) uma vez por semana e congelo. Vinte segundos no microondas são suficientes para que ele esteja apto a ser consumido. Claro que fica pior do que se fosse novinho, mas fica bem mais interessante do que pão dormido. E, definitivamente, eu me recuso a sair de casa de manhã cedo para entrar na "fila do pão".
Pois não é que, além do processo tradicional, que já contei neste blog, de fazer meu sanduíche matinal, encontrei outro ainda mais gostoso? Chamo de técnica beta. Seguinte: corto o pão congelado ao meio (como na técnica alfa) e coloco os ingredientes dentro; enquanto isso é feito, a torradeira (ou sanduicheira, para os estrangeiros) está esquentando; depois do recheio pronto, desligo-a da tomada e coloco o preparado para prensar; é necessário muito jeito e alguma força para conseguir fechar o trinco que junta as chapas, pois a dureza do pão congelado dificulta; após isso, desligue o aparelho da tomada, para que termine o serviço apenas com o calor já adquirido; vá preparar o seu leite com Toddy; em poucos minutos a torrada estará pronta, com a casquinha crocante e o recheio quente mas macio. O que acontece é que a temperatura baixa do pão impede que a temperatura elevada da chapa chegue com tanta violência ao centro do cacetinho. É perfeito. Testei também com manteiga e mel e é dos deuses. O mix derretido desses ingredientes junto ao miolo quente me dá vontade de só comer isso pelo resto da vida. Experimente.
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Meu Perfil BRASIL , Homem , de 26 a 35 anos |
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