Maldita Glória Kalil
Ela era desligada, ele chato. Estavam namorando há 5 dias. Foram almoçar juntos pela primeira vez. Serviram-se no buffet, pesaram os pratos e sentaram. Ele reparou em como ela comia. Não resistiu.
- Ã...
- Quê?
- É que...
- Fala.
- Ah, nada. Nada. Deixa assim.
- Agora fala, né?
- Não. Era uma besteira. Esquece.
- Sabe que eu sou curiosa?
- Sei. Sei, tô sabendo. (risos)
- Então? Não vai falar?
- É que eu pensei, mas achei melhor não falar. Por que, realmente é algo sem importância.
- Mas eu vou morrer se você não contar. Tá sabendo?
- Eu sou muito de falar sem pensar. Dessa vez eu pensei. Se fosse algo importante eu falava.
- Sei...
- Às vezes, a gente fala e a outra pessoa entende aquilo como algo ruim. Eu não quero que você ache a coisa errada.
- Olha, vou ser sincera também.
- Por favor.
- Não me importa o que você fala. Importa o que você pensa.
- É?
- Claro. Se eu estou com alguém é pelo o que ele é, e não somente pelo que ele fala.
- Faz sentido.
- Então, se você pensou algo que se eu soubesse me faria brigar com você, é porque o que você pensa não é o que eu gostaria que pensasse; não é o que eu espero de um namorado.
- Acho que você está complicando uma coisa simples.
- Melhor complicar agora do que depois, não acha?
- É?
- É.
- Quer que eu complique também?
- Quero.
- Então, agora, vou falar.
- Pode falar.
- É que você usa a faca para colocar a comida no garfo.
- E daí?
- Daí, é que faca é pra cortar, não para colocar o máximo de comida possível no garfo!
- A Glória Kalil diz que pode.
- Duvido.
- Diz, sim. Eu vi no Fantástico.
- Ah, viu?
- Vi.
- Então, tá bom. Mas eu não gosto.
- É porque você é cheio de manias!
- Muito prazer. Este sou eu.
- Muito prazer. Esta sou eu. E até mais ver.
- Isso é um tchau?
- É. Um adeus.
- Quer saber mais?
- Hf.
- Você come feio pra caralho!
- Grosso!
Ipi, Ipi, Urra!

O Governo estendeu, mais uma vez, a redução do IPI para automóveis até março de 2010. Só que desta vez, apenas para carros de combustão flexível, que permitem o uso de álcool ou gasolina. É uma tentativa de conter as emissões de CO2. Há quem diga que os motores à álcool poluem tanto quantos os convencionais. Mas isso é outro assunto. Se a intenção é estimular o consumo de bens e serviços "verdes", por que não subtaxar também a bicicleta, o transporte coletivo, os patins, o skate, o tênis de caminhada, o patinete, o carrinho de rolimã, o planador, os balões de aniversário para padres e o pogobol? Será porque 2010 é ano eleitoral e a indústria automobilística apoia... Ã... O... Ah, não. Claro que não. Imagina. No Brasil? Não, mesmo.
Nunca se vendeu tanto carro no país. E a crise mundial? O consumidor esqueceu. Tudo psicológico. Enquanto isso, ao invés de incentivar a produção de bens ecoeficientes, o não-desperdício e a eficiência do trânsito, o Governo joga mais carros nas ruas, faz "girar" a economia e, pasmém, aumenta a arrecadação.
Faith No More no meu K7
Demorei demais e não vou comentar o show do Faith No More em Porto Alegre. Na real, não tenho muito o que escrever, por 2 motivos: (1) pulei e cantei feito um louco, coisa que eu nunca faço em shows, e, então, não tenho nenhuma opinião muito crítica - resolvi me divertir ao invés de ouvir e observar; (2) o Leo escreveu brilhantemente - compartilho de tudo o que ele disse (leia aqui).

Conheci o Faith No More por 1990 (ou antes), no álbum The Real Thing. Fiquei maluco pela mistura de metal, funk e boas melodias. Era totalmente inovador. Era época em que as fitas K7 passavam de mão em mão. A gente locava CDs na Alfaveloca (que nomezinho...) – uma locadora de CDs que tinha em Pelotas, e gravava. Era o nosso paraíso, cheio de discos importados. Eu me considerava o rei da gravação. Achava que fazia melhor do que ninguém. Os discos longos, que os outros não conseguiam colocar em fitas, cabiam nas minhas. Eu sabia exatamente quanto tempo tinha de cada lado do K7. Variava de marca pra marca. As Basf 60, por exemplo, comportavam 31:20 em cada face (pelo menos na rotação do meu tape deck Philips). Eu pegava o tempo de cada faixa, somava e, é claro, desconstruia a ordem original dos CDs, programando a sequência ideal de reprodução no aparelho para preencher ao máximo a primeira metade. Assim, sobrava mais espaço do lado B. Nunca faria isso hoje, é claro. (Aliás, os CD-players de hoje – ou, melhor, DVD-players - permitem programar a ordem desejada? Nem sei como fazer). Depois, escrevia o nome das músicas na máquina elétrica da minha mãe, fazia uma capinha com alguma foto de revista recortada, inseria o papel datilografado no lado de dentro e pronto, tinha minha fitinha personalizada semioficial. Lembro que a do The Real Thing, tinha uma imagem esverdeada dos 5, recortada de uma Bizz (ou Showbizz, não lembro qual era o nome na época).
Fiquei maluco quando vi na MTV, na casa do Nélio que tinha antena parabólica, as primeiras imagens da banda. Aquele som que me fascinava agora tinha uma cara. A banda era foda, cheia de estilo, e a expressão de louco de Mike Patton fazia jus à genialidade musical que eu percebia nas melodias. O clipe era de Epic e nem a tosquice da explosão do piano ao final da música comprometia minha devoção.

Em janeiro de 1991, tinham vindo ao Rock in Rio 2, que não fui, mas gravei da TV em VHS. Mike Patton escalando a estrutura metálica do palco é o que eu mais lembro. Logo, comecei a perceber que a banda underground que eu conhecera meses atrás estava conquistando mais fãs pelo mundo. Quando a gente descobre algo antes da grande mídia, se acha meio dono dela. E eu me considerava assim.
Mas no dia 27 de setembro de 1991, vieram a Porto Alegre. "Como? A minha banda favorita aqui?" Claro que eu fui numa excursão. Tinha prova de química no dia seguinte, mas azar. Foi de bate-e-volta. Acho que era meu primeiro show internacional. O Gigantinho quase explodiu. Quem abriu foi a Maggie's Dream, do ex-menudo Robby. Que escolha inapropriada! Depois de alvejado por revistas Bizz, distribuídas gratuitamente para o público, todos, em protesto, sentaram-se no chão. O porto-riquenho e sua banda de rock passaram um grande vexame.
Agora, 18 anos depois, para o show em Porto Alegre, juntamos 4 colegas que estavam no Gigantinho em 91 e repetimos a dose. Talvez pela nostalgia do momento é que eu tenha me empolgado tanto e voltado à adolescência. É bom quando você se permite curtir de verdade. Em janeiro tem Metallica.
No escurinho é mais gostoso

As pessoas costumam reclamar quando algumas ruas carecem de iluminação pública. Os motivos são dois: enxergar para deslocar-se e a segurança. Quanto ao deslocamento, se cada um levasse uma vela, um lampião ou uma lanterna, estaria resolvido. Ainda por cima, com muito menos custo do que a manutenção do sistema público exige. Com relação a carros, cada um tem seu farol. Não existem sem. É lei. No quesito segurança, quem conhece pesquisas que indiquem que a falta de luz aumenta a criminalidade? O escuro, o soturno, as sombras são muito usados nas artes para despertar suspense, medo e aflição. Mas quem disse que esses elementos da ficção têm consequências concretas na realidade? Um ladrão enxerga o mesmo que eu, tanto na luz do dia quanto na escuridão. Um estuprador não usa um aparato de visão noturna que lhe dê vantagem visual contra sua vítima. Um vampiro... Nem mesmo um vampiro teria vantagem à noite. Ele teria é desvantagem de dia, pois não suportaria a luz do sol. Mas, nesse caso hipotético, a iluminação pública artificial também não ajudaria, pois é apenas com raios solares que ele padece.
Mas voltando a falar sério... O cidadão está em igual condições visuais com o infrator tanto na luz quanto no escuro. Não é a quantidade de lux que vai garantir sua segurança ou vitimá-lo. Sabe aquela história de deixar uma lâmpada acessa no pátio de casa, na varanda? Sou contra. Quem melhor do que eu conhece minha casa, meu jardim? Quem sabe onde termina a grama, começa a brita; sabe a altura dos degraus, das saliências, a posição das árvores, a distância do muro, onde a mangueira está enrolada? Quem leva vantagem no escuro? É claro que eu. Se nas ruas há um empate, na minha casa, sou o mestre.
Quer outro fato que comprova minha tese? Imagine um pedestre cego. Claro que seria um alvo fácil. Mas agora visualize um bandido também cego pronto para atacá-lo. Claro que sempre o agressor tem a vantagem da iniciativa, mas isso nada tem nada a ver com a condição visual.
Voltando ao vampiro... De repente, algum deputado propõe um projeto para disponibilizar estacas públicas, a cada cem metros, nas ruas, ao lado das lixeiras, caixas de correio ou orelhões. Aí, sim! Se lembram? Já até tentaram algo semelhante com o kit de primeiros socorros e com o cambão nos carros.
Água de Melissa na Feira do Livro

Minha teoria da conspiração sobre a morte (ou não) de Michael Jackson e suas consequências
Para mim, a morte providencial de Michael Jackson é a peça-chave em sua estratégia de "revitalização" e recapitalização. Somam-se a isso as declarações polêmicas de familiares, escândalos instantâneos, fortíssima assessoria de imprensa e demais artimanhas - pronto: tem-se o maior e mais eficiente plano de ação jamais visto. Além das coisas que todos já sabem e falam por aí, tenho alguns outros pontos e suposições a levantar.
O filme
Cercado por forte campanha publicitária, estreiou semana passada o documentário "This Is It". O projeto, lançado apenas 3 meses após a morte do artista (como pode?), mostra os bastidores dos ensaios para a temporada de 50 shows que o astro faria em Londres. O filme desmitifica a imagem de um Michael Jackson frágil, ingênuo, doente, manipulado, inacessível e... esquisitão. Ou seria melhor dizer "remitifica"? O que se vê é um artista consciente, ativo, perfeccionista e dono do seu próprio nariz. Sim, até o nariz está lá. Dizem que seu rosto é a soma de próteses, maquiagem pesada e dezenas de operações plásticas. Mas o que a edição mostra em detalhes é um rosto - se não, até, bonito - totalmente aceitável ou, no máximo, excêntrico. Afinal, é a face de um artista, então, qualquer maluquice tá valendo. Não estou querendo dizer que o lançamento pretende forjar uma nova imagem do cantor. Minha questão é a seguinte: será que Michael era aquele bichinho acuado que a mídia nos vendia e que corroborava com a predisposição de uma morte prematura desse tipo? Na tela, ele dança, corre - talvez não como um rapaz de 20 anos, mas, sem dúvida, como um homem de 50, normal, em forma - canta em perfeita afinação esbanjando versatilidade, alcance vocal e sentimento, sem truques, sem playback. Essa é a pessoa viciada em sedativos que, para (dormir, não) apagar, administrava-se droga potente comum em intervenções cirúrgicas? Quer dizer que, na noite anterior a cada um dos ensaios, havia passado por um processo similar ao de uma anestesia geral? Você já tomou uma anestesia geral e saiu correndo, dançando e pulando no dia seguinte?
Ingressos
Nem todo mundo devolveu os ingressos comprados antecipadamente. Não tenho dados, mas acredito que quase ninguém. São negociados como raridade, cobiçados pelos fãs e oferecidos como prêmio em promoções de divulgação do filme. Raciocine comigo: e se após o ocorrido, a produção do show resolvesse imprimir mais ingressos para sortear em ações de divulgação do filme? Ou alguém pensa que estão usando os poucos que foram devolvidos? E se imprimissem para, além disso, vender na Ebay? Olhe este por US$499,00.
Funeral
Quem conseguiria organizar um evento de tamanha envergadura, com venda de ingressos, programa impresso, vídeos exclusivos projetados nos telões, em apenas 10 dias?
O corpo
Quem viu o corpo de Michael? Será que nenhum médico, assistente, enfermeiro, embalsamador ou faxineiro do hospital sacou o celular do bolso e tirou uma foto? Qualquer evento, por menor que seja, é alvo de centenas de fotógrafos amadores. Imagina se deparar com a pessoa mais famosa do mundo, morta, ainda por cima? O ser humano é podre, não perderia a oportunidade.
Se você tem alguma constatação que indique afinidade com esse pensamento, deixe comentário aqui. Quero saber de outros fatos sobre essa teoria da conspiração.
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Meu Perfil BRASIL , Homem , de 26 a 35 anos |
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